Empresário espera efeito menor dos juros sobre investimentos, aponta pesquisa
CIRILO JUNIOR
da Folha Online, no Rio
O empresariado brasileiro espera um efeito menor da alta dos juros básicos na produção e investimento no país. A constatação é de levantamento realizado pelo Bradesco junto a cerca de 1.600 instituições. Na última reunião, o Banco Central elevou a Selic para 13% ao ano.
De acordo com o diretor de pesquisa em estudos econômicos do banco, Octavio de Barros, a visão do empresário é bem mais positiva se comparada a cenários semelhantes de aperto monetário em 2004.
"Há um conjunto de informações novas que fazem com que o empresário tenha uma leitura mais construtiva de seu negócio. Ele confia que o aperto é temporário e necessário. Por outro lado, sabe que o país tem fatores positivos como grau de investimento e reservas de US$ 200 bilhões. São fatores que que confortam qualquer decisão de investimento, seja empresário brasileiro ou estrangeiro", afirmou em evento no Rio.
Segundo ele, o Bradesco projeta que a inflação em 2008 vá estourar o teto da meta, chegando a 6,7%. A meta do governo é de 4,5% ao ano, dois dois pontos percentuais de tolerância.
Barros ponderou, no entanto, que pelo cenário de preços de commodities observados ontem e da taxa de câmbio projetada, existe a possibilidade de que a inflação fique abaixo de 6,5% ao ano.
"O cenário ainda é de 6,7%, mas confesso que preciso observar um pouco mais. Há ponto tangível de inflação abaixo de 6,5%", afirmou.
Sobre os preços das matérias-primas (commodities), Barros estimou que o patamar das cotações se manterá elevado por pelo menos mais cinco anos, podendo se estender até mesmo por outros dez anos.
Ele observou que o preço médio das commodities é 21% superior ao que foi verificado no ano passado. Somente o petróleo está 40% mais caro.
"Há uma mudança estrutural que vai se manter enquanto houver um ciclo de investimentos parrudo. As commodities vão continuar em patamar muito alto enquanto isto perdurar."
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