Vale lucra R$ 4,573 bilhões no segundo trimestre, queda de 21,7%
YGOR SALLES
da Folha Online
A mineradora Vale do Rio Doce anunciou nesta quarta-feira que obteve lucro de R$ 4,573 bilhões no segundo trimestre, com baixa de 21,7% sobre o mesmo período do ano passado e alta de 103% sobre o primeiro trimestre, segundo o padrão contábil brasileiro.
No acumulado do primeiro semestre, a empresa apresentou lucro 37,6% menor do que em igual intervalo do ano passado --de R$ 10,937 bilhões no ano passado para R$ 6,826 bilhões.
Seguindo a contabilidade americana (US GAAP), expressa em dólares, o lucro da mineradora no segundo trimestre foi de US$ 5,009 bilhões, alta de 22,3% sobre o mesmo período do ano passado e de 147,8% sobre o primeiro trimestre deste ano. A diferença entre os dois resultados reside principalmente na variação cambial entre o dólar e o real.
"O desempenho da economia global na primeira metade do ano surpreendeu positivamente, estimando-se que tenha crescido à taxa ligeiramente superior a 4%. Isto se deveu à continuidade da expansão em ritmo acelerado das economias emergentes e da performance da economia americana, esta última influenciada principalmente pela desvalorização do dólar e pelo efeito pontual do pacote de estímulos fiscais", informou a empresa em comunicado ao mercado.
A receita operacional bruta da mineradora atingiu R$ 18,884 bilhões, alta de 3,8% sobre o mesmo período do ano passado. Segundo a empresa, trata-se do novo recorde trimestral. Já o Ebitda (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) avançou 2,1%, a R$ 10.473 bilhões.
As exportações líquidas do trimestre atingiram US$ 3,589 bilhões, com recuo de 4,4% sobre o segundo trimestre do ano passado.
Já em volume, a empresa registrou recorde de embarque de alguns de seus produtos. Foi o caso do minério de ferro, principal produto da Vale, do qual foram embarcadas 78,665 milhões de toneladas métricas, com alta de 8,9% sobre o segundo trimestre.
Previsões
Para o segundo semestre, a mineradora aposta que o bom momento do mercado de minérios e metais não se reverterá --embora admita que a atual crise americana afete o preço do minério de ferro, as condições de obtenção de crédito e a demanda.
"Estimamos que a economia global continue a se desacelerar nesta segunda metade do ano, influenciada pelo desempenho das economias desenvolvidas, com o início da recuperação tendo lugar ao longo do primeiro semestre de 2009. A expansão nas economias emergentes deve se tornar mais moderada no curto prazo, porém com a manutenção de um ritmo ainda bastante forte. O diferencial de taxas de crescimento em relação ao mundo desenvolvido tende a se ampliar, caracterizando o 'descolamento relativo' das economias emergentes, fenômeno manifestado a partir do início desta década", explica a empresa.
O mercado chinês continuará sendo o principal motor das exportações, mesmo com previsão de uma desaceleração "suave" no crescimento daquele país. "É provável que o pico da inflação já tenha ficado para trás e que sua economia faça uma aterrissagem suave, passando de uma expansão acima de 10% nos últimos cinco anos para algo próximo a 9% nos próximos anos, taxa ainda muito elevada", explicou a empresa. "No curto prazo, o crescimento econômico da China permanece bastante sólido."
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