Boa qualidade de TV aberta dificulta serviço pago, diz associação
FERNANDO ANTUNES
colaboração para a Folha Online
O setor de TV de paga no Brasil cresceu 52% em cinco anos, mas poderia ter sido muito mais se não fosse a "excepcional qualidade" da TV aberta. A afirmação é do presidente da ABTA (Associação Brasileira de Televisão por Assinatura), Alexandre Annenberg, que considera satisfatória a programação gratuita. "A qualidade da TV aberta no Brasil é excepcional em comparação com outros países", diz.
Segundo a ABTA, o aumento de renda conseguido pela população da classe C no país foi o responsável pelo crescimento do setor. Mesmo assim, segundo Annenberg, a elevada carga tributária e a força dos canais com programação gratuita impedem que mais pessoas contratem serviços por assinatura.
O presidente da associação utilizou como exemplo a Argentina, onde mais da metade da população assiste televisão através do sistema pago por não contar com boa programação na TV aberta. Segundo Annenberg, o telespectador que quiser assistir aos jogos da seleção argentina de futebol ou as corridas de Fórmula 1 são obrigados a assinar uma operadora de TV.
"A TV por assinatura no Brasil oferece uma alternativa [ao usuário] e não compete com o sistema gratuito", disse.
Expansão
Apesar de existir mais de 5.500 municípios no país, a ABTA reclama que o serviço de TV a cabo atinge pouco mais de 270 cidades. Annenberg informou que a última licitação promovida pela Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) para expansão dos serviços por cabo ocorreu em 2000.
"Há oito anos que não se faz nenhuma licitação de TV a cabo e depois reclamam da baixa penetração [do serviço]", disse.
A falta de licenças para distribuição de canais exclusivos através de cabos não atinge a expansão dos serviços por DTH (satélite), que dependem apenas da instalação de antena e decodificador.
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