Derrubada do preço do petróleo garante alta das Bolsas de NY
da Folha Online
As Bolsas americanas garantiram nesta sexta-feira fortes ganhos, impulsionadas pela queda do preço do petróleo. Nem mesmo o prejuízo bilionário apresentado pela gigante hipotecária Fannie Mae no segundo trimestre foi capaz de tirar o bom humor dos investidores.
O Dow Jones Industrial Average, principal indicador da Bolsa de Valores de Nova York, subiu 2,65%, para 11.734 pontos, enquanto o índice ampliado S&P 500 ganhou 2,39%, a 1.296 unidades. Na Bolsa tecnológica Nasdaq, o indicador Nasdaq Composite apresentou alta de 2,48%, a 2.414 pontos.
A ligeira valorização do dólar diante de outras moedas e a expectativa de crescimento econômico menor tanto nos EUA como em outros países desenvolvidos fizeram as cotações do petróleo recuarem. Os investidores estão ansiosos para ver mais diminuição das pressões inflacionárias e comemoram a redução de cerca de US$ 30 no preço do barril do petróleo desde o teto verificado em meados de julho.
Na Nymex (Bolsa Mercantil de Nova York, na sigla em inglês), o barril de petróleo leve WTI para entrega em setembro fechou com 4,01%, para US$ 115,20.
O petróleo em baixa beneficia duplamente o mercado acionário. No curto prazo, os investidores deixam de alocar recursos no mercado futuro da commodity e voltam a investir em ações, fazendo os preços dos papéis subirem. No médio e longo prazo, faz a inflação desacelerar --que, por sua vez, permite a queda dos juros, deixando a renda fixa menos atrativa aos investidores.
Ao contrário do que normalmente ocorre, hoje as más notícias envolvendo a crise creditícia americana não foram preponderantes no humor do mercado.
A gigante hipotecária Fannie Mae anunciou prejuízo de US$ 2,3 bilhões no segundo trimestre deste ano, mais de três vezes maior do que o esperado pelos analistas. A perda por ação foi de US$ 2,54, contra uma estimativa de US$ 0,69.
A empresa --que é patrocinada pelo governo americano e é uma das pilastras de sustentação do refinanciamento imobiliário do país ao lado de sua "irmã gêmea" Freddie Mac-- é uma das que mais sofreram com a crise do "subprime", passando atualmente pela sua pior fase nas últimas décadas.
No plano macroeconômico, Wall Street recebeu um relatório do Departamento do Trabalho dos Estados Unidos mostrando que a eficiência dos trabalhadores cresceu a um ritmo ligeiramente mais lento no segundo trimestre, pois as empresas procuraram produzir mais com menor força de trabalho. O documento também mostrou que os ganhos de salários e benefícios também reduziram, o que pode ajudar no combate a inflação.
Mesmo com os indicadores positivos, o diretor de estratégia de equity da RBC Dain Rauscher, de Minneapólis, Philip S. Dow, afirmou que os investidores estão nervosos e agem de acordo com as notícias do dia. "Vivemos em um mercado onde as pessoas reagem e não antecipam. Então, você tem um mercado que oscila todos os dias reagindo às notícias".
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