Dinheiro
11/08/2008 - 10h06

Mercado prevê fortalecimento do dólar

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MARIA CRISTINA FRIAS
da Folha de S.Paulo

O banco suíço UBS encerrou recomendação em investimentos em reais e passou a uma posição que definiu como "neutra". O fortalecimento do dólar nos mercados globais e a deterioração da conta corrente do país tornam a moeda brasileira mais vulnerável, segundo Paulo Tenani, analista-chefe do UBS Wealth Management.

"Encerramos nossa recomendação de longa data para o real. Os retornos seguem muito generosos, porém, os riscos aumentam com demasiada rapidez", afirma Tenani, um dos primeiros analistas a apostar que o movimento de alta do real se acentuaria, quando ele ainda era incipiente.

O estrategista-chefe do banco UBS considera que a tendência para o real não está mais tão clara como no passado.

"Os fundamentos apontam para diferentes sentidos", diz Tenani. O banco, entretanto, não espera uma imediata mudança de cenário: as taxas projetadas são de dólar a R$ 1,60 em três meses e a R$ 1, 70 em seis meses e em um ano.

O dólar fechou a R$ 1,609 na sexta, quando subiu 1,07%. Na última semana, a moeda americana acumulou alta de 3,21%.

Taxa de juros

A favor de uma moeda doméstica mais forte há os altos juros no Brasil, que estão em 13%. "As taxas de juros ainda dão sustentação ao real. Elas mais que compensam o investidor disposto a assumir o risco cambial", diz o analista. "Mas a conta corrente do Brasil está entrando em território negativo e se deteriora muito rapidamente", acrescenta.

Nos últimos 12 meses, a conta corrente registrou uma variação de 2,44% do PIB (Produto Interno Bruto) -de superávit de 1,12% do PIB em junho de 2007 para déficit de 1,32% do PIB em igual mês deste ano.

Para Tenani, será preocupante o cenário para a moeda brasileira depois que o BC parar de subir os juros, se a situação da conta corrente piorar ainda mais. "A única força que sustentará o real serão as reservas internacionais do BC."

Reservas internacionais

"Não devemos olhar para os "famosos" US$ 200 bilhões de reservas e achar que estamos tranqüilos", diz Marcelo Ribeiro, da Pentágono Asset Management.

Ele cita estudo do BIS (Banco para Compensações Internacionais) que afirma que o par de moedas real-dólar já é o segundo mais negociado no mundo, com volume financeiro de US$ 900 bilhões, abaixo apenas do par euro-dólar, com US$ 1,7 trilhão, e acima do iene-dólar, com US$ 700 bilhões.

As contas externas brasileiras deverão se deteriorar pelos mesmos motivos que estão beneficiando os Estados Unidos: menor preço para as commodities, menores volumes exportados, menores fluxos para as aplicações e possibilidade de ocorrerem menos investimentos diretos no curto prazo.

Para Ribeiro, a tendência de alta do dólar é global "e veio para ficar". "As aplicações também estão migrando dos emergentes para a Bolsa norte-americana. O real está vulnerável e vai se depreciar pelos próximos dois ou três anos", afirma.

Comentários dos leitores
Rogério Turchetti (39) 26/11/2009 16h35
Rogério Turchetti (39) 26/11/2009 16h35
O nosso grande "Guru" Financeiro, o Sr. Lula da Silva deveria sair na capa da "Economist" vestido de CROUPIE. Seu governo está patrocinando o maior casino financeiro do mundo atual, bem aqui embaixo das nossas barbas !!!!
Não é a toa que os banqueiros de cá, e mesmo os de "olhinhos azuis", o estão idolatrando tanto.
Enquanto isso, nossa industria está sendo completamente sucateada !!!
Vamos parar com as "mentirinhas" e com a sapiência Marketeira !!!
Acorda Brasil !!!
4 opiniões
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JOSE MOTTA (51) 26/11/2009 15h17
JOSE MOTTA (51) 26/11/2009 15h17
O SALARIO NO BRASIL É REALMENTE BAIXO, PORÉM INCIDE MUITO ENCARGOS QUE ENCARECEM ESSES SALARIOS PARA AS EMPRESAS, POR EXEMPLO, PORQUE PAGAR PLANO DE SAÚDE SAÚDE PARA OS FUNCIONÁRIO TEMOS O "SUS".? AGORA NÃO É O MAIS BAIXO DO MUNDO. AGÚEM JÁ PROCUROU SABER QUANTO GANHA UM TRABALHAR CHINÊS, CONSIDERADA E SEGUNDFA ECONOMIA MUNDIAL? sem opinião
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Cristiano Garcia (373) 26/11/2009 14h56
Cristiano Garcia (373) 26/11/2009 14h56
Ora, ora, o banco americano Goldman Sachs que não conseguiu prever a crise economica que acometeu e quase levou na enxurrada de falencias a propria instituição, continua a tecer opiniões sobre a economia alheia. Agora quer prejudicar a economia brasileira com essas afirmações que tendem a criar um recuo ou tensão no dinheiro que vem sendo investido no Brasil.
Esses safados que não previram a crise global, deveriam ficar de boca fechada.
sem opinião
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