JP Morgan acumula perdas de US$ 1,5 bi com papéis de risco desde julho
da Folha Online
O banco americano de investimentos JP Morgan Chase já acumula perdas de US$ 1,5 bilhão desde o início de julho, refletindo os efeitos das crises imobiliária, hipotecária e de crédito que afetam atualmente o sistema financeiro dos EUA.
Segundo documento submetido às autoridades reguladoras, o banco informou que as condições de negócios tiveram uma "deterioração substancial" no terceiro trimestre, comparadas com as do segundo trimestre, que os "spreads" (diferença entre o custo de captação dos bancos e a taxa efetiva cobrada dos clientes) sobre títulos lastreados em hipotecas e outros empréstimos "aumentaram acentuadamente" --excluindo "hedges" (instrumentos financeiros usados para proteção contra perdas).
O JP Morgan informou ainda que se os "spreads" dos créditos do próprio banco encolherem, a mudança afetará seus resultados. O banco já teve de reduzir os valores de seus papéis ligados a hipotecas, que chegam a US$ 33 bilhões.
Segundo o JP Morgan, as reduções foram efetuadas devido à decisão do rival Merrill Lynch, de vender ao fundo de private equity Lone Star cerca de US$ 30,6 bilhões em títulos ligados a papéis de maior risco por apenas US$ 6,7 bilhões --cerca de US$ 0,22 para cada dólar.
A operação forçou uma queda nos preços de títulos similares, o que levou o JP Morgan a rever para baixo os valores de seus títulos --e pode levar outros bancos a ações semelhantes, segundo o diário britânico "Financial Times".
Até 30 de junho, o JP Morgan tinha US$ 19,5 bilhões em papéis ligados a hipotecas "prime" (de menor risco) e Alt-A --que reúnem hipotecas com fatores de alto risco, como clientes que não conseguem oferecer comprovação de renda.
"Essa exposição a títulos ligados a hipotecas pode ser afetada por uma piora nas condições de mercado, mais deterioração no mercado imobiliário e atividade de mercado que reflita vendedores assustados", informou o banco.
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