Publicidade

Dinheiro
12/08/2008 - 13h39

Odebrecht obteve informações sigilosas de consórcio concorrente, diz Suez

Publicidade

LORENNA RODRIGUES
da Folha Online, em Brasília

O presidente do consórcio Energia Sustentável, Victor Paranhos, disse nesta terça-feira que a Odebrecht obteve documentos sigilosos aos quais apenas os sócios do consórcio e pessoas envolvidas na negociação tiveram acesso. O consórcio, encabeçado pela Suez, venceu o leilão da usina de Jirau, no rio Madeira.

Reportagem do jornal "Valor Econômico" de hoje afirma que a Odebrecht enviou à Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) um relatório contestando a mudança na localização de Jirau, proposta pela Suez. Segundo Paranhos, desse relatório constam dois documentos confidenciais: uma proposta feita pela fábrica chinesa de turbinas Dongfang e um cronograma de obras feito pela Camargo Corrêa.

O executivo evitou dizer que a empresa foi vítima de espionagem industrial e afirmou que não fará nenhum tipo de investigação para descobrir quem vazou os documentos.

"Não sei se é espionagem industrial, tenho dois documentos que foram enviados dentro desse dossiê. Eu não sei como foram parar lá, se é espionagem. Eu digo que estão lá e são documentos importantes e confidenciais", afirmou, após a cerimônia de assinatura do contrato de concessão da usina de Jirau.

Paranhos negou ainda que entrará na Justiça contra a construção da usina de Santo Antônio caso a Odebrecht questione judicialmente a mudança na localização de Jirau, como a construtora tem ameaçado. Ele afirmou que as duas empresas não estão brigando e que, até agora, a Odebrecht não procurou a Suez para conversar.

"Eu digo que não tem briga, quando um não quer dois não brigam e nós não queremos. Não vamos retaliar. Quem perde é o Brasil, é o consumidor", afirmou.

Ameaças

O ministro Edison Lobão (Minas e Energia) voltou a ameaçar cassar a concessão das duas usinas caso as empresas ingressem em uma disputa judicial. Ele disse que o governo não admitirá atrasos que prejudiquem o consumidor brasileiro.

"Este é um momento mais de engenheiros do que de advogados. Nesta semana ainda devo me reunir com os dois consórcios. Eles têm que se entender porque o povo não será prejudicado", afirmou.

Além de Lobão, participaram da cerimônia de assinatura o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) e o ministro Paulo Bernardo (Planejamento). Uma das principais obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), a usina de Jirau terá capacidade para gerar 3.300 MW e deverá ficar pronta em dezembro de 2011. A obra custará R$ 9 bilhões.

 

FolhaShop

Digite produto
ou marca