Governo admite estrangeiros no pré-sal
da Folha Online
Para tentar vencer as resistências a sua proposta de mudar as regras para exploração do petróleo na camada do pré-sal, o governo Lula vai enfatizar que não pretende adotar um sistema de monopólio na área nem irá criar restrições à participação de capital estrangeiro nos novos megacampos.
A informação consta em reportagem assinada por Valdo Cruz e publicada na Folha deste domingo. A íntegra da reportagem está disponível para assinantes do jornal e do UOL.
"Não queremos nem o monopólio da Petrobras nem criar um novo. Apenas desejamos garantir que essas reservas são propriedade da União. Não significa que vamos nacionalizar os campos", disse à Folha um ministro que participa dos debates sobre as novas regras de exploração do petróleo, que terão de passar pelo Congresso.
Ainda segundo a Folha, apesar de a idéia de uma nova estatal para cuidar do pré-sal contar com a simpatia de boa parte do governo, Lula ainda não tem posição fechada sobre o tema.
Na semana passada, Lula fez vários discursos em que mencionou que as reservas pertencem ao "povo brasileiro" e devem ser usadas em benefício do país, como para aplicações na educação. Lula chegou a mencionar que as reservas eram uma chance divina e deveria ser usada para reparar uma dívida com os mais pobres.
"Esse patrimônio que está a 6.000 metros de profundidade é da União, de 190 milhões de brasileiros. Precisamos utilizá-lo para fazer reparação aos pobres deste país", disse Lula.
Pré-sal
A camada pré-sal se estende por cerca de 800 quilômetros, entre os Estados do Espírito Santo e Santa Catarina, e engloba três bacias sedimentares (Espírito Santo, Campos e Santos). O petróleo encontrado está a profundidades superiores a 5 mil metros, abaixo de uma extensa camada de sal, que segundo geólogos, conservam a qualidade do petróleo.
A Petrobras é uma das empresas pioneiras nesse tipo de perfuração, e o comunicado, em novembro do ano passado, de que Tupi tem reservas gigantes fez com que os olhos do mundo se voltassem para o Brasil. Na época do anúncio de Tupi, a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) disse que o Brasil tem condições de se tornar exportador de petróleo com o óleo do pré-sal.
Estimativas apontam que a camada pode abrigar algo próximo de 100 bilhões de boe em reservas, o que colocaria o Brasil entre os dez maiores produtores do mundo. Atualmente, as reservas do país não passam dos 14 bilhões de boe.
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