Venezuela nacionaliza fabricante de cimento mexicana Cemex
da Folha Online
A Venezuela executou à meia-noite (hora local) desta terça-feira a desapropriação da filial no país da fabricante de cimento mexicana Cemex. A desapropriação se deve ao fracasso das negociações de estatização com o governo venezuelano e segue a compra das empresas de produção de cimento francesa Lafarge e suíça Holcim.
Após a desapropriação e do acordo com as outras duas estrangeiras ontem, o Estado passa a controlar 98% da indústria de cimento do país.
O ministro do Petróleo venezuelano e presidente da estatal PDVSA (Petróleos de Venezuela), Rafael Ramírez, disse que o fracasso das negociações para um acordo amistoso de compra e venda forçou a desapropriação, e que o valor que será pago pelas instalações será determinado após um levantamento.
Na negociação com a empresa mexicana não foi possível chegar a um acordo "pois o valor solicitado pela Cemex é muito alto, muito acima dos US$ 1,3 bilhão", disse o vice-presidente venezuelano, Ramón Carrizález.
"A Cemex tem problemas ambientais, de atraso de tecnologia, o que significa que não pode ser um valor muito acima do que estamos adquirindo [as outras duas empresas]", disse o vice-presidente.
Por US$ 819 milhões as fabricantes francesa e suíça aceitaram a compra por parte do Estado venezuelano da maioria das ações.
A mexicana Cemex é uma das três maiores fabricantes de cimento do mundo e na Venezuela figura como a maior fabricante de cimento, concreto e agregados (areia e taxa), enquanto Holcim e Lafarge representam quase os outros 50% da produção venezuelana de material.
Desocupação
Soldados da Guarda Nacional (GN, Polícia militarizada) e quatro juízes ocuparam ainda ontem a filial venezuelana da fábrica de cimento mexicana Cemex, seis horas antes de vencer o prazo legal prévio à sua desapropriação, informou uma emissora de televisão.
A emissora Globovisión, de Caracas, destacou que a ocupação das instalações da Cemex na cidade de Maracaibo (oeste), capital do estado de Zulia, fronteira com a Colômbia, aconteceu quando ainda "não se completou o prazo até a meia-noite para chegar a um acordo" de compra e venda.
O presidente venezuelano, Hugo Chávez, se queixou reiteradamente que os planos oficiais de construção de imóveis são atrasados pelo déficit de cimento no país.
O déficit de imóveis na Venezuela é de 1,8 milhão de unidades, segundo dados oficiais, e o "fracasso" das políticas oficiais no setor é um dos principais argumentos da oposição para assinalar a "ineficácia" do governo "bolivariano".
Estatizações
Com a aquisição da indústria de cimento, dá-se mais um passo no multimilionário processo de aquisições por parte do governo venezuelano, que, segundo estimativas de imprensa, gastou mais de US$ 10 bilhões. Esse número representa em torno de um terço das reservas monetárias internacionais do país.
Chávez anunciou recentemente a adicional compra do Banco da Venezuela, pertencente ao grupo financeiro espanhol Santander, cujo valor, segundo os analistas, oscila entre US$ 1,2 bilhão e US$ 1,8 bilhão.
O Santander, que negociava a venda do Banco de Venezuela a um comprador local, se viu obrigado a vendê-lo ao governo por decisão de Chávez.
"Eles queriam vender o banco a um banqueiro venezuelano, e eu, chefe de Estado, disse não. Vamos recuperar o Banco de Venezuela, nos faz muita falta um banco dessa magnitude", declarou o presidente no último dia 31 de julho, ocasião em que anunciou a nacionalização.
As nacionalizações se cumpriram, além disso, nos setores elétrico, alimentício, energético e telefônico, entre outros.
Com Efe
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