Venezuela defenderá corte de produção na Opep se preços caírem mais
da Reuters
da Folha Online
A Venezuela irá propor um corte de produção na próxima reunião da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo), em setembro, se os preços continuarem a cair, disse o ministro da Energia do país, Rafael Ramírez, à agência de notícias Reuters nesta terça-feira.
"Se houver uma continuação do declínio no preço, deveríamos avaliar um corte de produção --é essa [a idéia] que levaremos ao encontro", disse Ramirez. "O que não podemos permitir é um colapso do preço do petróleo."
Segundo ele, o cartel deveria evitar um aumento indevido nos níveis de estoques, uma vez que a atual situação das reservas mundiais é boa. "Na Opep sempre insistimos que [o movimento rápido de preços] é fundamentalmente um produto da especulação, e essas mudanças bruscas de preço mostram que estamos certos", afirmou.
O ministro avaliou que os especuladores "estão apostando que os preços irão continuar a flutuar, mas os produtores não podem violar os fundamentos do mercado". "Acreditamos que não há necessidade de elevar a produção."
Ontem, o CGES (Centro de Estudos Globais para a Energia, na sigla em inglês) divulgou relatório em que afirma que a Opep impedirá que o preço do barril deste produto caia muito abaixo dos US$ 100. O documento destaca que o petróleo baixou como conseqüência de um maior equilíbrio entre oferta e procura.
Hoje o preço da commodity chegou a um mínimo de US$ 111,64; em relação ao recorde atingido em 11 de julho, US$ 147,27, o preço já caiu mais de US$ 35 --recuo de 24%.
O CGES prevê que o preço continuará a cair, já que considera que a Opep "não parece muito descontente" de ver como o barril tem caído nas últimas semanas, mas lembra que, embora não se espere por uma posição oficial de redução de oferta na reunião de setembro, alguma ação poderá ser adotada se o petróleo cair muito abaixo dos US$ 100.
A EIA (Administração de Informação de Energia, órgão ligado ao Departamento de Energia dos EUA) informou na semana passada que a demanda por petróleo nos Estados Unidos caiu em 800 mil barris por dia, em média, no primeiro semestre deste ano em relação ao mesmo período do ano passado. Foi a maior queda em volume registrada nos últimos 26 anos.
A IEA (Agência Internacional de Energia, na sigla em inglês), por sua vez, divulgou relatório no qual apresentou um forte aumento da oferta global de petróleo em julho, que aumentou em 890 mil barris diários, para 87,8 milhões de barris. A organização, que representa os interesses dos países industrializados membros da OCDE, manteve inalterada sua previsão de demanda mundial de petróleo para 2008, em 86,9 milhões de barris diários (0,9% a mais a respeito de 2007).
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