Novas refinarias permitirão que país seja auto-suficiente na produção de diesel
CIRILO JUNIOR
da Folha Online, no Rio
A construção de duas novas refinarias --uma no Rio e outra em Pernambuco-- resultará no fim das importações de diesel no país, disse nesta terça-feira o diretor de abastecimento e refino da Petrobras, Paulo Roberto Costa. Ele informou ainda que outras duas novas unidades de refino previstas pela empresa para o Nordeste terão a maior parte da produção de diesel voltada para o exterior.
No primeiro semestre, a Petrobras importou, em média, 100 mil barris de diesel diários. Mas esse volume será reduzido até o final do ano para, no mínimo, 67 mil barris/dia. Deixarão de ser trazidos, em média, 20 mil barris de diesel por dia em função do aumento do percentual do volume de biodiesel vendido nos postos. Desde 1º de julho, o governo ampliou de 2% para 3% o volume de biodiesel na composição do diesel.
Mais 12 mil barris/dia serão compensados com a inauguração de nova unidade de coque na Reduc (Refinaria de Duque de Caxias), na Baixada Fluminense.
"É um volume significativo, que vai melhorar nossa balança comercial com a redução das importações", ressaltou Costa.
As atuais refinarias da Petrobras não têm capacidade para atender à demanda total de óleo diesel do país, e estatal é obrigada a compor com volumes do exterior. Costa disse que a entrada em operação do Comperj (Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro) e da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, a partir de 2012, irá permitir que o país seja auto-suficiente em diesel.
Além dessas unidades, estão previstas mais duas refinarias, que deverão ser erguidas no Ceará e no Maranhão. As chamadas refinarias Premium permitirão a produção de derivados com maior qualidade, que serão direcionados, em parte, para o exterior. Entre eles, está o diesel --que, segundo o diretor, terá "boa parte" da produção voltada para mercados externos.
Costa assina amanhã protocolo de entendimentos com o governo do Ceará para viabilizar a área próxima ao porto de Pecém onde está sendo considerada a construção de uma dessas refinarias. O memorando estipula 120 dias a resolução de algumas pendências para que o projeto possa ser viabilizado. Após esse período, destacou Costa, a expectativa é que seja firmado um termo de compromisso para que a refinaria saia do papel.
Essa refinaria terá capacidade para processar até 300 mil barris/dia, e tem investimentos estimados em US$ 11,1 bilhões. A outra refinaria prevista deverá ser construída no Maranhão e terá capacidade para até 600 mil barris/dia, com investimentos estimados de US$ 20 bilhões.
Sobre o Comperj, Paulo Roberto Costa avaliou que o investimento previsto de US$ 8,4 bilhões será revisto para cima. O executivo, no entanto, não precisou em quanto. Ele confirmou que negocia parceria com a indiana Reliance nos projetos de segunda geração (unidades de produção petroquímica) do projeto.
O diretor disse ainda que a negociação com os indianos está em estágio mais avançado em relação à participação em unidades petroquímicas próximas à refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco. Costa informou também que já começou a negociar com a estatal venezuelana PDVSA, sócia no projeto, os termos dos contratos de fornecimento de petróleo para a refinaria. Quanto à composição da empresa que vai gerenciar as atividades da unidade, as conversas com a PDVSA continuam em curso.
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