Emília Ribeiro diz que não entrará na Anatel para servir o governo
LORENNA RODRIGUES
da Folha Online, em Brasília
A servidora Emília Ribeiro, que teve seu nome aprovado hoje para o Conselho Diretor da Anatel pela Comissão de Infra-Estrutura do Senado, disse que não será uma representante do governo na agência. Mais cedo, o senador Demóstenes Torres (DEM-GO) disse que Emília está previamente encarregada de fazer a vontade do governo e de votar a favor de mudanças na legislação para permitir a concretização da fusão entre a Oi e a Brasil Telecom.
"Minha ida para o conselho é como uma gestora pública, representando a sociedade como um todo", disse Emília, após a sabatina.
Emília não quis dar sua opinião sobre a fusão nem sobre as mudanças no PGO (Plano Geral de Outorgas), que permitirão a operação.
"Eu acho maravilhoso que aconteça (a alteração no PGO), mas o conteúdo eu não tenho conhecimento", afirmou.
Apesar de 5 de 19 senadores terem votado contra seu nome, a servidora disse estar satisfeita com o resultado. Torres declarou que votou contra o nome da servidora e, segundo ele, o senador Sérgio Guerra (PSDB-PE) também foi contra.
Após ouvir na semana passada de Guerra que seu currículo era insuficiente para o cargo, Emília fez a lição de casa: levou para a sabatina uma apresentação pautada por assuntos técnicos, onde discorreu sobre o setor de telecomunicações nos últimos 10 anos e pelos desafios para a área.
Emília destacou como necessidade para os próximos anos a massificação da banda larga e chegou a sugerir a oferta de um serviço de banda larga público, que poderia ser usado, por exemplo, por bombeiros e policiais. Ao ser questionada sobre a proposta, porém, ela não deu mais detalhes.
"É mais uma proposta, para ser discutida em profundidade", disse.
O plenário do Senado ainda avaliará a indicação de Emília antes que ela seja nomeada para o cargo pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
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