Brasil paga preço justo por energia paraguaia de Itaipu, reafirma diretor brasileiro
FERNANDO ANTUNES
colaboração para a Folha Online
O diretor geral brasileiro da Itaipu Binacional, Jorge Samek, voltou a afirmar nesta sexta-feira que o governo brasileiro está disposto discutir com o Paraguai questões administrativas referente a usina hidrelétrica, mas não rever o preço pago pela energia que é comprada do país vizinho.
Segundo ele, o Brasil está disposto a auxiliar o Paraguai no financiamento de infra-estrutura de transmissão, entre outros projetos, através do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). Samek participou na Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) da reunião do Conselho Superior de Infra-estrutura.
"A determinação do presidente Lula é que é proibido proibir. Tudo o que eles estão reivindicando nós estamos recebendo. Agora, aquilo que der para atender, nós vamos atender. E aquilo que não der, nós vamos dizer por que não dá para atender", afirmou.
Samek informou que foi realizada ontem a primeira reunião oficial de um grupo formado por brasileiros e paraguaios para discutir a revisão de 10 pontos do Tratado de Itaipu referentes a questões administrativa, como, por exemplo, a forma de contratação de pessoal. O próximo encontro está marcado para 1º de setembro.
Preço justo
O diretor afirmou que o discurso inflamado contra o preço pago pelo excedente da energia paraguaia é motivado também por um jornal local que "insiste em afirmar que o Brasil para US$ 2,81 por megawatt-hora".
"Se fosse isso eu teria vergonha de ser brasileiro e presidente de Itaipu. Aí seria sim um imperialismo. Tentaram dizer que é esse o preço que sobraria para o Paraguai", afirmou Samek.
De acordo com ele, o Brasil paga US$ 45 por megawatt-hora para o Paraguai, sendo que 70% desse valor é referente as dividas e juros da construção da usina --financiada pelo Brasil--, 15% de royalties, além de outra parcela referente aos custos de operação de Itaipu. O saldo dessa conta seria o valor propagado pelo Paraguai.
Segundo Samek, o preço da energia paga pelo Brasil ao vizinho está de acordo com a média do mercado interno. "É uma balela essa conversa que o preço de Itaipu é uma energia barata. O preço justo que eles reivindicam já é praticado".
Com relação a decisão da diretoria paraguaia de Itaipu em realizar uma auditoria das contas da represa, Samek afirmou não ver problemas e concorda com a operação. "Para nós, quanto mais transparência melhor".
Disputa
Uma das principais plataformas de campanha do novo presidente do Paraguai, Fernando Lugo, empossado no último dia 15, era a revisão do preço que o Brasil paga pela energia não utilizada pelo seu país.
A central hidrelétrica de Itaipu, a maior do mundo em funcionamento, fornece 19% da eletricidade consumida pelo Brasil. O Paraguai utiliza apenas 5% da eletricidade produzida lá e vende o restante ao Brasil.
A projeção de Itaipu para 2008 é que a usina atinja a produção recorde de 95 milhões de megawatt-hora, superando a marca anterior de 93 milhões de megawatt-hora obtida no ano 2000.
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