Dinheiro
22/08/2008 - 16h04

Brasil paga preço justo por energia paraguaia de Itaipu, reafirma diretor brasileiro

Publicidade

FERNANDO ANTUNES
colaboração para a Folha Online

O diretor geral brasileiro da Itaipu Binacional, Jorge Samek, voltou a afirmar nesta sexta-feira que o governo brasileiro está disposto discutir com o Paraguai questões administrativas referente a usina hidrelétrica, mas não rever o preço pago pela energia que é comprada do país vizinho.

Segundo ele, o Brasil está disposto a auxiliar o Paraguai no financiamento de infra-estrutura de transmissão, entre outros projetos, através do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). Samek participou na Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) da reunião do Conselho Superior de Infra-estrutura.

"A determinação do presidente Lula é que é proibido proibir. Tudo o que eles estão reivindicando nós estamos recebendo. Agora, aquilo que der para atender, nós vamos atender. E aquilo que não der, nós vamos dizer por que não dá para atender", afirmou.

Samek informou que foi realizada ontem a primeira reunião oficial de um grupo formado por brasileiros e paraguaios para discutir a revisão de 10 pontos do Tratado de Itaipu referentes a questões administrativa, como, por exemplo, a forma de contratação de pessoal. O próximo encontro está marcado para 1º de setembro.

Preço justo

O diretor afirmou que o discurso inflamado contra o preço pago pelo excedente da energia paraguaia é motivado também por um jornal local que "insiste em afirmar que o Brasil para US$ 2,81 por megawatt-hora".

"Se fosse isso eu teria vergonha de ser brasileiro e presidente de Itaipu. Aí seria sim um imperialismo. Tentaram dizer que é esse o preço que sobraria para o Paraguai", afirmou Samek.

De acordo com ele, o Brasil paga US$ 45 por megawatt-hora para o Paraguai, sendo que 70% desse valor é referente as dividas e juros da construção da usina --financiada pelo Brasil--, 15% de royalties, além de outra parcela referente aos custos de operação de Itaipu. O saldo dessa conta seria o valor propagado pelo Paraguai.

Segundo Samek, o preço da energia paga pelo Brasil ao vizinho está de acordo com a média do mercado interno. "É uma balela essa conversa que o preço de Itaipu é uma energia barata. O preço justo que eles reivindicam já é praticado".

Com relação a decisão da diretoria paraguaia de Itaipu em realizar uma auditoria das contas da represa, Samek afirmou não ver problemas e concorda com a operação. "Para nós, quanto mais transparência melhor".

Disputa

Uma das principais plataformas de campanha do novo presidente do Paraguai, Fernando Lugo, empossado no último dia 15, era a revisão do preço que o Brasil paga pela energia não utilizada pelo seu país.

A central hidrelétrica de Itaipu, a maior do mundo em funcionamento, fornece 19% da eletricidade consumida pelo Brasil. O Paraguai utiliza apenas 5% da eletricidade produzida lá e vende o restante ao Brasil.

A projeção de Itaipu para 2008 é que a usina atinja a produção recorde de 95 milhões de megawatt-hora, superando a marca anterior de 93 milhões de megawatt-hora obtida no ano 2000.

Comentários dos leitores
Rolando Frati (83) 07/11/2009 14h18
Rolando Frati (83) 07/11/2009 14h18
O Novo tratado no Acordo de Itaipu deve ser Auditado, para verificar se não houve perda ao País, pois os ocasionadores de eventuais perdas deveriam pagar de seus próprios Bolsos, pois foram eleitos para defender o Direito e Patrimonio do Povo Brasileiro. sem opinião
avalie fechar
Maurilio Gabriotti (42) 06/11/2009 08h15
Maurilio Gabriotti (42) 06/11/2009 08h15
Parece que o presidente Lula sempre dá um jeito de arrumar dinheiro para os nossos ilustres vizinhos. Só não consegue dinheiro para os aposentados. Acontece que os nossos vizinhos não votam, sr. Lula. Então, até as próximas eleições... sem opinião
avalie fechar
Anonimo Anonimo (4) 06/11/2009 00h46
Anonimo Anonimo (4) 06/11/2009 00h46
Até parece que o Brasil passou a perna no Paraguai durante todo este tempo e o Lula veio corrigir a injustiça. Só esqueceram de mencionar que o preço pago ao Paraguai é o mesmissimo que é pago para geradoras dentro do país. Se a moda pega e os geradores internos decidam cobrar o mesmo aumento, a energia elétrica em nossas casas também deve triplicar. sem opinião
avalie fechar
Comente esta reportagem Veja todos os comentários (117)
Termos e condições
 

FolhaShop

Digite produto
ou marca