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Dinheiro
28/08/2008 - 09h57

PIB dos EUA registra crescimento de 3,3% no segundo trimestre

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da Folha Online

Atualizado às 10h37

A economia americana registrou um crescimento de 3,3% no segundo trimestre deste ano, após revisão do dado preliminar divulgado no mês passado --que havia mostrado uma expansão de 1,9%. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira pelo Departamento do Comércio.

O resultado também superou as projeções dos economistas, que previam um reajuste para 2,7%. O crescimento de 3,3% se segue a um trimestre de desempenho econômico fraco, com expansão de apenas 0,9%; foi também o maior crescimento desde o terceiro trimestre do ano passado, quando houve uma expansão de 4,8%.

Entenda a crise hipotecária que atinge a economia dos EUA

Mesmo com o dado de hoje, a expectativa para os próximos dois trimestres deste ano é de crescimento fraco. Em fevereiro deste ano o governo aprovou um pacote de estímulo, de US$ 168 bilhões, na forma de envios de cheques aos contribuintes, para serem usados para consumo a fim de fazer avançar a economia do país, até então em risco de cair em recessão. Os cheques começaram a ser enviados em abril.

Com o fim dos envios de cheques, o consumo deve sofrer uma redução --e o consumo é um fator crucial na economia americana, respondendo por cerca de 70% de toda a atividade econômica do país.

Desde o ano passado, a economia americana entrou em um processo significativo de desaceleração, devido às crises nos mercados imobiliário, de crédito e de hipotecas de risco (chamadas de 'subprime').

O indicador de inflação atrelado à leitura do PIB (Produto Interno Bruto) mostrou uma elevação de 4,2% no trimestre passado, contra 3,6% de alta no trimestre imediatamente anterior. O núcleo do indicador (que exclui os preços de alimentos e energia) teve alta de 2,1%, pouco abaixo dos 2,3% de um trimestre antes.

Os lucros das empresas tiveram um crescimento modesto no trimestre passado, o que reflete a alta das commodities no período; descontados os impostos, os lucros corporativos tiveram um crescimento de 1%, atingindo US$ 1,361 trilhão. Em relação ao primeiro trimestre, no entanto, o resultado é significativo: nos três primeiros meses do ano, os lucros tiveram uma queda de 7,7%.

Em relação ao segundo trimestre de 2007, o resultado perde mais um pouco do brilho: nessa comparação, houve uma queda de 5,9%.

O departamento mostrou ainda que houve uma redução de estoques no trimestre passado menor que a estimativa inicial: a redução foi de US$ 49,4 bilhões (a estimativa inicial era de uma redução de US$ 62,2 bilhões). A redução de estoques retirou do crescimento do PIB 1,44 ponto percentual (p.p.).

A redução de estoques mostra que as empresas chegaram ao terceiro trimestre com menos excesso de bens, o que pode ser um sinal de que as empresas poderão avançar um pouco mais na produção no período --o que serviria para estimular a economia.

As exportações no trimestre passado tiveram um desempenho melhor que o inicialmente estimado, com um crescimento de 13,2%, contra 9,2% da divulgação do mês passado. As importações, por sua vez, caíram 7,6%, mais que os 6,6% da estimativa inicial. Com isso, o comércio exterior contribuiu com 3,10 p.p. para o PIB do trimestre passado (contra 2,42 p.p. da estimativa anterior).

Os gastos dos consumidores cresceram 1,7%, contra um dado inicial de 1,5%; no primeiro trimestre, houve uma alta de 0,9%. Esses gastos contribuíram com 1,24 p.p. no PIB (o dado inicial era de um crescimento de 1,08 p.p.). As compras de bens duráveis (com durabilidade prevista de pelo menos três anos) caíram 2,5%, menos que o previsto inicialmente, 3%. No primeiro trimestre havia ocorrido uma queda de 4,3%.

 

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