Publicidade

Dinheiro
29/08/2008 - 14h39

Petrobras quer fim de concessões no pré-sal, diz Mercadante

Publicidade

CIRILO JUNIOR
da Folha Online, no Rio

O senador Aloizio Mercadante (PT-SP) disse nesta sexta-feira que é "evidente" que a Petrobras quer mudanças no regime de concessão de blocos no pré-sal.

Segundo Mercadante, pelo atual modelo, a empresa não teria condições de pagar pelos blocos mais valorizados nos leilões da ANP, já que a empresa está empregando pesados recursos na exploração das áreas do pré-sal onde já descobriu óleo.

"Evidente que a Petrobras não quer a continuidade do regime de concessão no pré-sal. Evidente que não quer. Todo mundo que sentou aqui sabe, mas não diz", afirmou o senador, durante o seminário "Os desafios do pré-sal", realizado no Rio.

"Com o programa de investimentos que ela carrega hoje, e terá que fazer com o pré-sal, mantido o regime de concessão, ela vai ter que disputar um bônus que vai descapitalizar ainda mais a Petrobras. Ela vai fragilizar a posição dela no pré-sal", acrescentou.

Até o momento, a Petrobras não se manifestou publicamente a respeito da discussão sobre mudança nas regras de exploração do petróleo no país.

Nova estatal

Mercadante acrescentou que todas as alternativas estudadas para o pré-sal prevêem o fortalecimento da Petrobras, e criticou a proposta de criação de uma nova estatal para explorar na promissora região. Para ele, essa hipótese "não tem cabimento" e serve apenas para desfocar a questão estratégica do debate.

"Não conheço ninguém que tenha estudado minimamente este tema que proponha ao Brasil criar uma nova empresa exploradora de petróleo para concorrer com a Petrobras. Isso não tem o menor cabimento", observou.

Estão sendo estudadas, acrescentou o senador, alternativas para capitalizar a Petrobras e garantir os recursos para a produção de óleo na camada pré-sal. Uma da opções é dar à estatal áreas contínuas aos blocos já descobertos no pré-sal, e que ainda não foram licitadas, que estariam interligadas ao que já foi descoberto.

Segundo Mercadante, essa proposta daria "musculatura financeira" à Petrobras para garantir o plano de investimento futuro, com o pré-sal.

"Isso poderia ser precificado, quantificado e poderia ser um aporte de ativos em ações na Petrobras, que daria uma grande alavancagem financeira e a empresa, teria portanto, todas as condições de melhorar sua capacidade financeira, de investimento e de liderança no pré-sal".

Modelo norueguês

O senador ressaltou que o modelo norueguês prevê uma estatal (Petoro) apenas para administrar recursos oriundos da exploração de petróleo. Ele disse que a Petoro é um escritório com no máximo, 60 funcionários, e que não tem receita e nem investimento.

Mercadante sugeriu que a ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis) fizesse esse papel, mas que o fato de a agência fiscalizar o setor impediria a função de gerenciar as reservas.

"Portanto, não é uma empresa, não esvazia a Petrobras. Pelo contrário, todo o debate que o governo faz hoje é para fortalecer estrategicamente a Petrobras, ainda que tenha muita gente que faça, estrategicamente, um esforço grande para parecer que é outra questão", completou.

Comentários dos leitores
alexandre bakunin (110) 25/11/2009 17h55
alexandre bakunin (110) 25/11/2009 17h55
Tenho duas dúvidas e espero que os colegas me esclareçam:
1 - Que todos querem participar dos bonus do pré-sal é fácil compreender. Mas vamos imaginar que por uma obra do destino estas operações causem uma enorme catástrofe ecológia e que tenhamos que pagar indenizações alguém ou outro Estado, como Argentina, por exemplo. Pergunto se os Estados brasileiros que ora desejam participar desta boquinha estarão também de acordo em arcar com os riscos (onus).
2 - Será que temos mesmo competência para fazer este tipo de perfuração ? Será que não corremos o risco de desabar o fundo do mar drenando água para o buraco ? Lembrem-se que uma burrada da Russia condenou o mar de Aral a secar.
sem opinião
avalie fechar
Euclydes Uchôa (6) 25/11/2009 10h13
Euclydes Uchôa (6) 25/11/2009 10h13
Dos comentários do Sr. Governador do RJ deduzimos que:a) o mesmo JAMAIS terá capacidade de ser Presidente da República, pois seu País é o RJ;b)JAMAIS terá o alcance da igualdade entre os povos, pois sequer a quer praticada em seu País;c) É um "garotinho" egoísta e mimado, pois só quer o apoio do 'resto" dos Estados qd é para o Rio sediar jogos Pan Americanos e Olimpíada. d) Não tem visão alguma de admnistração: funcionário público e aposentados existe em todo Brasil(Meu Deus, que egoísmo).e) Deseja sim aumentar a tão sofrida divisão de renda existente em nosso País. sem opinião
avalie fechar
José Sanchuk (2) 25/11/2009 09h44
José Sanchuk (2) 25/11/2009 09h44
A questão é que na hora que for vender o petroleo o país membro da opep pode boicotar o petroleo brasileiro baixando o preço do seu produto, pois todo seu petroleo é de superficie, portanto muito mais barato para ser produzido. Qual será o preço do nosso petroleo para retirar no pré-sal, no minino o doblo dos paises da opep, quem garante que havera mercado para todos os produtores, muito deles gasta muito e precisa fazer mais caixa, como muito comprador esta diminuindo sua compra, haverá sobra de petroleo pois com a nova onda é proteger o meio ambiente se usara fontes menos poluidoras, o Rio tem o direito de pedir pois esta em seu dominio. sem opinião
avalie fechar
Comente esta reportagem Veja todos os comentários (1171)
Termos e condições
 

FolhaShop

Digite produto
ou marca