Dinheiro
29/08/2008 - 18h54

Dólar lidera ranking de aplicações mais rentáveis; Bovespa foi a pior

EPAMINONDAS NETO
da Folha Online

Pelo terceiro mês consecutivo, a Bolsa de Valores ocupou a posição de pior aplicação financeira. O índice Ibovespa, referência para boa parte dos fundos de renda variável do mercado, acumulou desvalorização de 6,43%.

Na ponta oposta, o dólar liderou o ranking das aplicações mais rentáveis do mês. A variação da taxa de câmbio foi de 4,64% em agosto, muito superior aos ganhos proporcionados pela poupança ou pelos fundos de renda fixa.

Os fundos de investimento do tipo DI ou Renda Fixa deram retorno de, respectivamente, 0,82% e 0,78%, em média, segundo cálculo da Anbid (Associação Nacional dos Bancos de Investimento), com dados atualizados até o dia 25 do mês. Já a caderneta de poupança, aplicação mais popular do país, proporcionou retorno de 0,65% no mês.

Depois da Bolsa de Valores, o ouro foi a pior aplicação do mês: o preço da commodity --conforme referência do contrato da BM&F (Bolsa de Mercadorias & Futuros)-- teve desvalorização de 5,38% em agosto.

Com exceção da Bovespa e do ouro, todas as outras aplicações tiveram rentabilidade acima da inflação: o IPCA-15 foi de 0,35%. Pelo IGP-M, houve deflação de 0,32%. O primeiro índice reflete o custo de vida para famílias com renda mensal entre um e 40 salários mínimos, enquanto o cálculo do segundo indicador embute preços do varejo, do atacado e da construção civil.

Rentabilidade anual

A Bolsa de Valores também desanima os investidores na perspectiva do ano. Em oito meses, o Ibovespa acumula desvalorização de 12,84%, graças aos três meses consecutivos de perdas, entre junho e agosto.

Aplicações referenciadas ao câmbio também apresentaram retorno bastante ruim para o investidor: o preço da moeda americana acumula desvalorização de 8% no ano. A commodity ouro não mostra retorno melhor: a cotação do metal na BM&F retraiu 7,37% em 2008.

Os investimentos mais rentáveis do ano também se enquadram na categoria dos mais seguros: os fundos DI tiveram rentabilidade média de 7,33% ano, segundo a Anbid. No caso dos fundos Renda Fixa, o retorno médio foi de 7,98%. No ano, o ganho da caderneta de poupança foi de 4,90%.

Em oito meses, a inflação acumulada é de 4,69%, pela referência do IPCA-15, e de 8,35%, pelo IGP-M.

Perspectivas

Analistas do mercado financeiro estão pouco otimistas em relação à Bovespa para este ano. "Nossa projeção atual é de 77.000 pontos para dezembro. Ainda estamos revisando esse número, mas com certeza a projeção vai ser revista para baixo", afirma Mariana Gonçalves, analista de renda variável da Global Equity, sintetizando uma tendência geral de mercado.

O pessimismo dos analistas está vinculado ao cenário externo. Os desdobramentos da crise dos "subprime" nos EUA, e as conseqüências para o setor bancário americano, ainda devem afetar a Bolsa de Valores nos próximos meses. Mesmo com os bons números da economia doméstica, o saldo de investimento estrangeiro na Bovespa ficou negativo (vendas de ações maiores que compras) entre junho e agosto.

Analistas temem que esse fluxo negativo continue ou piore em setembro, sem dar chances de recuperação para a Bolsa brasileira. E lembram: os estrangeiros respondem por pelo menos um terço do volume financeiro do mercado de ações brasileiro. Outra corrente de mercado prefere ressaltar que ações de grandes empresas ficaram muito baratas com a desvalorização recente e podem atrair compradores.

No caso do câmbio, profissionais de mercado esperam que a taxa ronde a casa dos R$ 1,60 pelos próximos meses. O boletim Focus mostra que a maioria dos analistas do setor financeiro projeta taxa de R$ 1,62 para o final de ano. Em relação à taxa Selic (13% ao ano), que referencia os juros de mercados e por conseqüência, os fundos de renda fixa, a perspectiva é de mais altas: a projeção é de 14,75% para o final deste ano.

 

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