Petrobras garante que unitização não atrasaria exploração em Tupi
CIRILO JUNIOR
da Folha Online, no Rio
A possível unitização dos blocos situados na camada pré-sal não vai atrasar o programa de exploração e produção na área de Tupi, garantiu nesta terça-feira o gerente de exploração e produção para a região pré-sal, José Formigli Filho. Para ele, a possibilidade de que os blocos do pré-sal estejam interligados não pode ser transformada em crise, atrapalhando o aproveitamento do óleo presente na camada ultra profunda.
Na semana passada, no Rio, representantes do setor privado de petróleo e gás manifestaram tal preocupação.
Formigli acrescentou que, no momento, não há "evidência responsável" que indique elementos para uma unitização imediata. Ele frisou ainda que não há impedimentos legais para o início do TLD (Teste de Longa Duração), previsto para março de 2009, com produção de 30 mil barris/dia, e para o início do projeto-piloto, em 2010, com produção prevista de 100 mil barris/dia.
"Não podemos transformar uma oportunidade em crise. Temos um regimento normativo eficiente. À medida que identificarmos mais evidências, as decisões serão tomadas de forma natural, junto à ANP [Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis]", afirmou, durante entrevista coletiva em Vitória (ES), onde a Petrobras inicia amanhã produção na camada pré-sal local, com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O diretor de Exploração e Produção da estatal, Guilherme Estrella, reconheceu que a produção, após a fase de testes, só poderá ser iniciada mediante definição se os blocos são realmente interligados. A produção propriamente dita de Tupi só começará a partir de 2012.
Para Estrella, uma "porção de gente está dando palpite" sobre o tema, mas a Petrobras ainda necessita começar os testes em Tupi para ter mais informações e delimitar a área de ocorrência de óleo na área, para que se verifique se a faixa de petróleo realmente tem continuidade.
"Não se pode produzir sem que haja uma definição. Mas é preciso que seja feito o TLD para ver se precisa de unitização. É preciso ampliar o processo de coleta de dados", observou.
A descoberta do pré-sal livrou a Petrobras de uma situação "complicada", destacou Estrella. Ele fez referência ao fato de que a Petrobras tinha perspectiva de buscar petróleo em regiões de novas fronteiras, sem maiores perspectivas de grandes volumes, como a bacia do Jequitinhonha, em Minas Gerais e na Bahia.
Formigli foi além e disse que o pré-sal amplia a perspectiva de vida útil da empresa de forma significativa. Antes da descoberta, a relação reserva/produção (média de tempo de aproveitamento das reservas) da Petrobras estava relativamente baixa, mesmo diante da perspectiva de aumento da produção.
"O pré-sal vai dar um tremendo empurrão nessa relação. Demos um alívio nisso", destacou, sem precisar em quanto o pré-sal vai elevar a relação reserva/produção.
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1 - Que todos querem participar dos bonus do pré-sal é fácil compreender. Mas vamos imaginar que por uma obra do destino estas operações causem uma enorme catástrofe ecológia e que tenhamos que pagar indenizações alguém ou outro Estado, como Argentina, por exemplo. Pergunto se os Estados brasileiros que ora desejam participar desta boquinha estarão também de acordo em arcar com os riscos (onus).
2 - Será que temos mesmo competência para fazer este tipo de perfuração ? Será que não corremos o risco de desabar o fundo do mar drenando água para o buraco ? Lembrem-se que uma burrada da Russia condenou o mar de Aral a secar.
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