CNI diz que subestimou crescimento, mas não vê pressões inflacionárias
EDUARDO CUCOLO
da Folha Online, em Brasília
A CNI (Confederação Nacional da Indústria) reconheceu nesta quarta-feira que subestimou os números sobre o crescimento da economia neste ano, que levaram o setor a registrar novos números recordes em julho.
Apesar da desaceleração esperada para o mês passado, o faturamento do setor registrou expansão de 13,2% em 12 meses e um resultado recorde de 9% no acumulado do ano.
O gerente da Unidade de Política Econômica da CNI, Flávio Castelo Branco, afirmou que a entidade irá rever nesse mês a previsão de crescimento da economia brasileira em 2008. A projeção atual é de 5%, a mesma feita pelo governo federal.
Ele afirmou também que ainda não há sinais de que haverá uma desaceleração nos resultado da indústria neste ano, mas disse que os números do setor não confirmam a avaliação do Banco Central de que há descompasso entre o crescimento da oferta e da demanda no mercado interno.
"O setor industrial não é a fonte maior das pressões inflacionárias", afirmou Castelo Branco. "O objetivo do BC não é fazer com que a indústria cresça menos. É permitir um ritmo de crescimento num patamar sustentado."
Não há gargalo
Ele afirmou que o valor recorde do uso da capacidade instalada alcançado em julho (83,5%) não significa que haja um gargalo na oferta de produtos, o que poderia pressionar os preços. Segundo a CNI, esse indicador aponta apenas a maturação dos investimentos feitos desde 2006.
Em relação à reunião do Copom (Comitê de Política Monetária do BC) da próxima semana, o economista disse que os números da inflação apontam para uma acomodação de preços.
"Há sinais de que talvez a política monetária não precise ser apertada por um período tão longo como foi apontado pelo BC", afirmou Castelo Branco.


