Reposição da inflação nos salários é a menor em três anos, diz Dieese
colaboração para a Folha Online
Atualizada às 12h17
Das 309 negociações de reajustes salariais registradas no primeiro semestre deste ano, 86% conseguiram assegurar, no mínimo, a recomposição da inflação acumulada em cada data-base, de acordo com o INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
Segundo pesquisa divulgada nesta quinta-feira pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), esse percentual supera os registrados entre 1996 e 2005, mas fica abaixo dos índices de 2006 e 2007 para o período.
De acordo com o levantamento, 74% das negociações firmadas entre janeiro e junho deste ano tiveram aumento real de salário, ou seja, com o índice superando a inflação no período. Esse resultado também está abaixo dos verificados em 2006 (com aumento real em 84% das negociações) e 2007 (com 87%).
Já com relação aos reajustes que não conseguiram recompor a inflação o Dieese verificou que 14% das negociações ficaram abaixo do INPC acumulado na data-base, ante 3% em 2007.
"Um fator da maior importância para o bom desempenho das negociações coletivas de trabalho é o comportamento das vendas e dos lucros das empresas, impulsionados pelo crescimento da economia. Os indicadores econômicos do primeiro semestre foram bastante favoráveis e, mesmo na hipótese de uma ligeira retração no segundo semestre, devem confirmar um ano de excelentes resultados", afirma o relatório.
Setores
Segundo a pesquisa, as negociações no setor industrial apresentaram o maior índice de acordos superiores a inflação, registrando 81,3%. O comércio aparece logo atrás com 80% das negociações ficando acima dos aumentos de preços. Porém, a média caiu com o setor de serviços, que no primeiro semestre teve 64% dos acordos com reposição da inflação. O levantamento não considerou negociações realizadas por entidades de trabalhadores rurais e de funcionários públicos.
As negociações entre empresas e trabalhadores das regiões Sul e Centro-Oeste apresentaram 85,7% e 84,6%, respectivamente, de reajustes acima da inflação, enquanto essa taxa ficou em 69,3% na região Nordeste, 68,3 na Sudeste e 62,5% na região Norte.
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