Negociação salarial vai além do boom da venda de veículos, diz indústria
KAREN CAMACHO
FERNANDO ANTUNES
da Folha Online
A negociação com os metalúrgicos que pipocam greves em São Paulo e no Paraná vai considerar outros fatores além do bom momento da indústria, informou nesta quinta-feira a Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores).
"Na negociação pensamos a longo prazo e não apenas no atual momento da indústria, assim como as decisões sobre investimento. Temos de pesar também as condições competitivas da indústria no cenário internacional e nos impactos de qualquer aumento de custo", afirmou Jackson Schneider, presidente da Anfavea.
O executivo disse que está otimista no processo. "Estamos abertos a negociação e acredito na maturidade dos atores nesse diálogo", afirmou.
Nesta quinta-feira, trabalhadores da Volkswagen, Ford e Scania (todas em São Bernardo do Campo) cruzaram os braços por duas horas e decidiram suspender a produção neste fim de semana. Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, a categoria não aceita a proposta das montadoras de reajustar os salários pela inflação acrescidos de 1,25% de ganho real.
O presidente do sindicato, Sérgio Nobre, quer aproveitar os recordes de vendas de veículos no Brasil para negociar um reajuste maior para a categoria. "Este ano, a economia brasileira vive um momento ainda melhor do que em 2007, por isso precisamos avançar no índice de reajustes."
Nas fábricas da General Motors (São José dos Campos), Honda (Sumaré), Toyota (Indaiatuba) e Mercedes-Benz (Campinas) os trabalhadores aguardam as negociações desta quinta-feira para decidir se vão parar a produção por tempo indeterminado. Nessas unidades, as empresas oferecem 1,5% de aumento real.
Paraná
Os funcionários da Volks-Audi e da Renault-Nissan rejeitaram hoje proposta das empresas de 10% de aumento salarial (incluíndo a inflação) a serem pagos a partir de novembro e dezembro, respectivamente. Os cerca de 10.000 operários querem 5% de ganho real contados a partir deste mês, além de um abono de R$ 1.500 a serem pagos também este mês.
Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba, as unidades das duas empresas chegaram nesta quinta-feira ao quarto dia de greve e deixaram de produzir 6.600 veículos.
Já os 2.500 trabalhadores da Volvo aceitaram a proposta da montadora de caminhões e fecharam acordo que garante aumento salarial de 10% e abono de R$ 1.500.
Leia mais
- Produção de veículos perde força, mas ainda supera 2007
- Produção industrial em julho cresce em 10 das 14 regiões pesquisadas
- Faturamento da indústria sobe 9% e bate novo recorde no ano, diz CNI
- Setor automotivo anuncia investimentos de US$ 23 bilhões
Especial
- Leia o que já foi publicado sobre o setor automotivo
- Navegue no melhor roteiro de cultura e diversão da internet
Livraria da Folha

