Lula defende participação da Argentina em infra-estrutura no pré-sal
LÍSIA GUSMÃO
da Folha Online, em Brasília
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu a participação da Argentina na infra-estrutura para exploração do petróleo da camada pré-sal. O governo brasileiro aproveita a visita da presidente da Argentina, Cristina Kirchner, ao país para negociar a compra de embarcações para ampliar a indústria naval.
"A Argentina pode e deve participar da construção da grande infra-estrutura necessária à exploração do petróleo brasileiro na camada pré-sal", disse o presidente Lula em discurso no Palácio Itamaraty.
Lula defendeu ainda que o Mercosul adote uma posição comum nas negociações para a Rodada Doha, que fracassaram mais uma vez em julho deste ano. Na avaliação de observadores internacionais, as relações entre Brasil e Argentina ficaram estremecidas, depois que a representação brasileira aceitou uma proposta da OMC (Organização Mundial do Comércio) que era considerada insuficiente pelos demais países membros do G-20, o grupo de países emergentes.
"Não devemos temer divergências. Elas serão sempre menores do que temos em comum. Insisto em que a resposta para os problemas do Mercosul é mais Mercosul", disse o presidente em defesa do fortalecimento do bloco. "No momento em que nos preparamos para retomar negociações com outros blocos é fundamental que o Mercosul possa falar com uma única só voz no mundo".
Moeda
Os governos brasileiro e argentino firmaram, nesta segunda-feira, acordo de cooperação para a implementação, em caráter experimental a partir de 6 de outubro, do SML (Sistema de Pagamentos em Moeda Local), que prevê que as trocas comerciais entre os países serão feitas em peso e real, e não mais em dólar.
Para o presidente Lula, o sistema de pagamento em moeda local é o passo inicial para uma "futura integração monetária regional".
"Logo veremos os primeiros resultados, na forma de queda dos custos de importação e exportação, sobretudo para as pequenas e as médias empresas", afirmou Lula.
Em discurso, a presidente Cristina Kirchner também saiu em defesa do Mercosul e culpou a política econômica dos anos 90, adotada pelo governo à época de seu país, pela dificuldade de integração regional.
"Foi a decisão política mais terrível, a de que não pertencíamos à região, que nosso lugar estava entre os grandes. Nossa identidade está aqui. Somos América do Sul. Nossos melhores sócios são nossos vizinhos", disse Cristina Kirchner, que participou com Lula de almoço no Palácio Itamaraty.
Em seguida, Cristina fará visita aos presidentes da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN) e do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Gilmar Mendes.
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