Presidente do BCE destaca incertezas sobre crescimento e inflação
da Folha Online
O presidente do BCE (Banco Central Europeu), Jean-Claude Trichet, destacou nesta quarta-feira a incerteza em torno do crescimento econômico na zona do euro e advertiu que continuam os riscos para a estabilidade de preços na área a médio e longo prazo.
Nesse contexto, deixou claro que o BCE continua determinado a "ancorar" as expectativas de inflação, com o objetivo de manter o poder aquisitivo na zona do euro e contribuir para um crescimento sustentável e para a geração de emprego.
Trichet lembrou, em pronunciamento no Parlamento Europeu, que, segundo as previsões da autoridade monetária, a inflação continuará alta por muito tempo, e só ficará moderada ao longo de 2009.
O economista francês advertiu do risco de efeitos "de segunda rodada" da inflação em outros preços e salários, e pediu responsabilidade ao fixar aumentos, especialmente no setor público.
As cláusulas de indexação automática dos salários devem desaparecer, disse Trichet, que mostrou mais rigor que o habitual contra estes mecanismos, generalizados em alguns países e que buscam garantir aos trabalhadores a manutenção de seu poder aquisitivo diante dos aumentos de preços.
Segundo o presidente do BCE, os aumentos salariais devem refletir a posição competitiva de cada país e levar em conta o alto nível de desemprego em algumas economias da área, assim como a evolução da produtividade em cada setor.
Trichet também ressaltou que o objetivo do BCE, contido nos tratados da União Européia, é a estabilidade de preços na zona do euro a médio e longo prazo, fundamental para impulsionar o crescimento e o emprego.
O banco considera que o atual enfoque da política monetária --a taxa de juros permanece inalterada em 4,25%-- é adequado para avançar rumo a esse objetivo, e ressaltou que continuará acompanhando atentamente a situação.
Sobre o crescimento, Trichet disse que a situação atual de fragilidade será seguida por uma recuperação gradual, se for mantida a moderação do petróleo e da criação de emprego. No entanto, insistiu em que a incerteza é muito grande, com vários riscos em baixa vinculados, principalmente, a novos aumentos da energia e dos alimentos, assim como à possibilidade de que as turbulências financeiras tenham um impacto maior na economia do que o estimado até o momento.

