Governo antecipa gasto por eleições e impulsiona economia no semestre
CIRILO JUNIOR
da Folha Online, no Rio
As eleições elevaram os gastos do governo, que foi obrigado a antecipar a colocação de recursos e as contratações em função de regras eleitorais, e impulsionaram o crescimento da economia no primeiro semestre. O consumo do governo cresceu 5,3% no segundo trimestre, e 5,6% de janeiro a junho. Segundo a gerente de Contas Nacionais do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), Rebeca Palis, esse gasto ficou acima do constatado em períodos anteriores.
O PIB (Produto Interno Bruto) teve expansão de 6,1% no segundo trimestre de 2008, na comparação com igual período no ano passado. No acumulado do semestre, o incremento foi de 6% em relação ao período de janeiro a junho de 2007. Ao todo, a economia movimentou R$ 716,9 bilhões de abril a junho e R$ 1,3 trilhão no primeiro semestre.
"O ano eleitoral influenciou. Há limite de gastos durante a campanha, e a maior parte fica concentrada no primeiro semestre. O consumo do governo vinha crescendo entre 2% e 4% anteriormente. Essa elevação foi influenciada principalmente pelos Estados e municípios", afirmou.
No primeiro trimestre, o consumo do governo já havia crescido 5,8% frente ao período correspondente no ano passado.
Os gastos da administração pública, que englobam despesas com administração, saúde e educação e que têm peso relevante na economia, subiram 2,3% no segundo trimestre, na comparação com igual período em 2007. No primeiro trimestre, haviam apresentando expansão mais tímida, de 1,1%.
Palis destacou que estão incluídas nesta parcela as contratações feitas pelo governo, mas lembrou que no total do consumo do governo está presente o investimento em obras públicas. Ela acrescentou que esse dado também vem aumentando, mas não pode ser destacado com exatidão na conta parcial do PIB (Produto Interno Bruto).
Investimento
Juntamente com os gastos da administração pública, foram destaques no desempenho da economia brasileira o setor agropecuário e o investimento no país, observou Palis.
No caso do investimento, foi o maior incremento para um semestre desde o início do acompanhamento da série verificada para o período, em 2000, com alta de 15,7% pela chamada Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), que mede o investimento. Se analisado o período de três meses, foi o 18º aumento seguido.
A taxa de investimento (FBCF/PIB) representou 18,5% do PIB no primeiro semestre, o maior nível desde 2000. No segundo trimestre, ficou em 18,7% de todo o volume movimentado na economia, maior índice desde o segundo trimestre de 2000, no início da série.
"A construção civil foi o destaque em termos de investimento. Contribuiu para isso também o maior número de obras públicas, entre as quais os projetos do PAC [Programa de Aceleração do Crescimento]", comentou Palis.
Famílias
O consumo das famílias, com alta de 6,7% de abril a junho, subiu pelo 19º trimestre consecutivo e atingiu R$ 258,971 bilhões, influenciado pelo aumento de 8,1% da massa salarial e de 32,9% do crédito para pessoas físicas.
Mais uma vez, a taxa de crescimento de importações de bens e serviços superou à das exportações. Isso vem ocorrendo desde o primeiro trimestre de 2006. No segundo trimestre, as importações tiveram elevação de 25,8%. Já as exportações subiram de forma mais tímida, com alta de 5,1%.
No semestre, as importações de bens e serviços tiveram incremento de 22,4%, e as exportações aumentaram 1,6%.
"Na comparação com o primeiro trimestre, houve melhoria no desempenho tanto das exportações quanto das importações por conta do fim da greve dos auditores da Receita Federal", explicou Palis.
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