Dinheiro
10/09/2008 - 12h35

Mantega eleva previsão de crescimento do PIB para até 5,5% em 2008

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EDUARDO CUCOLO
da Folha Online, em Brasília

Atualizada às 13h02

Os números positivos do PIB (Produto Interno Bruto) divulgados nesta quarta-feira levaram o ministro da Fazenda, Guido Mantega, a rever para cima a previsão de crescimento da economia brasileira. A previsão anterior era de uma expansão de 5%. Para 2009, foi mantida a estimativa de 4,5%.

PIB cresce 6,1% no segundo trimestre; no semestre, expansão é de 6%

"Foi um resultado muito bom, com um crescimento de 6,1% em relação ao mesmo trimestre do ano passado. Isso significa que a economia brasileira deve terminar o ano de 2008 com um crescimento entre 5% e 5,5%, portanto, um pouco maior do que aquele que nós estávamos prevendo", afirmou Mantega.

Segundo o ministro, o impacto do aumento dos juros promovido desde abril pelo Banco Central ainda não se refletiu na economia no primeiro semestre. Ele prevê que essa desaceleração só deve se verificar neste segundo trimestre, mesmo assim, de forma a preservar o crescimento.

"Esse crescimento não reflete a situação dos juros nos últimos meses. A elevação de juros demora para fazer efeito."

Qualidade

Mantega destacou o fato de a economia estar crescendo em um momento em que há desaceleração da inflação.

"Nós estamos crescendo com uma qualidade maior do que em outros períodos. Em primeiro lugar, porque está havendo um crescimento com uma desaceleração da inflação. Por isso que é um crescimento sustentável", afirmou.

Para o ministro, o aumento recorde de 16,2% do investimento no segundo trimestre, percentual quase três vezes a expansão do PIB no período, é outro fator que demonstra essa qualidade. Segundo ele, a economia que cresce puxada pelo investimento tem um crescimento sólido. "A demanda cresce, mas a oferta cresce mais robustamente."

Outro número que foi bem recebido pela Fazenda é a acomodação no consumo das famílias em 6,7%, ante 8,7% no final de 2007. O ministro prevê agora uma estabilização desse indicador entre 6% e 6,5% para este ano, o que seria "satisfatório", ou seja, evitaria novas medidas para desestimular o consumo.

Mantega também destacou a desaceleração no consumo do governo de 5,8% para 5,3% entre os dois últimos trimestres.

Indústria

O crescimento menor da indústria, de 7% para 5,7%, também foi visto como positivo, assim como o aumento dos estoques do setor.

"Se está havendo estoque, isso significa que toda a utilização da capacidade instalada está sendo suficiente para atender a demanda."

A capacidade de produção da indústria alcançou nível recorde no semestre passado, o que vem preocupando o Banco Central em relação ao atendimento da demanda do consumidor brasileiro e possíveis pressões inflacionárias.

"Nós queremos um crescimento sustentável. E o crescimento sustentável não é o maior possível, mas é o crescimento que pode se manter sem gerar inflação e sem criar pontos de estrangulamento", afirmou o ministro.

Riquezas

Segundo divulgou o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nesta quarta-feira, a economia brasileira cresceu 6,1% no segundo trimestre de 2008 na comparação com igual período no ano passado. No acumulado do semestre, o incremento do PIB foi de 6% em relação ao período de janeiro a junho de 2007. Em relação ao primeiro trimestre de 2008, o PIB trimestral cresceu 1,6%.

Ao todo, a economia movimentou R$ 716,9 bilhões de abril a junho e R$ 1,3 trilhão no primeiro semestre. Trata-se do melhor semestre desde os primeiros seis meses de 2004, quando o PIB cresceu 6,6%. A taxa acumulada dos últimos 12 meses (encerrados em junho) indica alta de 6% do PIB em relação aos quatro trimestres imediatamente anteriores.

 

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