Mantega diz que juros altos terão reflexo em 2009, mas elogia BC
EDUARDO CUCOLO
da Folha Online, em Brasília
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou nesta quarta-feira que o aumento da taxas básica de juros só deve se refletir na economia brasileira em 2009. Mesmo assim, ele disse acreditar que será possível manter a previsão de crescimento de 4,5% da economia no próximo ano.
Ao comentar os números sobre o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto), Mantega elogiou as decisões do Banco Central, que se reúne hoje para decidir sobre um novo aumento da taxa básica de juros, a Selic, atualmente em 13% ao ano.
"Esse aumento de PIB vem acompanhado de desaceleração da inflação, então eu estou dizendo que é um crescimento sustentável. Agora, o que fará o Copom e o Banco Central, aí depende das análises que eles fizerem. Tem tido análises muito competentes, tem feito uma política monetária muito eficiente, e eu confio nas decisões do Banco Central", afirmou.
Crise internacional
Outro fator de que deve influenciar no resultado da economia em 2008, segundo o ministro, são os efeitos da crise internacional, que não afetou ainda o PIB, mas já se refletiu em mais inflação e na queda da Bolsa de Valores no Brasil.
"Eu continuo trabalhando com uma projeção de crescimento para o próximo ano de 4,5%. Menor que a deste ano justamente refletindo alguns problemas criados pela crise internacional", afirmou.
"Há, por exemplo, uma diminuição do crédito mundial, uma diminuição do crédito no Brasil, elevação das taxas de risco no mundo todo e principalmente nos países emergentes, e, finalmente, aumento da taxas Selic que também deverá levar a uma desaceleração do investimento e do crescimento no ano que vem, não nesse ano."
PIB
Segundo divulgou o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nesta quarta-feira, a economia brasileira cresceu 6,1% no segundo trimestre de 2008 na comparação com igual período no ano passado. No acumulado do semestre, o incremento do PIB foi de 6% em relação ao período de janeiro a junho de 2007. Em relação ao primeiro trimestre de 2008, o PIB trimestral cresceu 1,6%.
Ao todo, a economia movimentou R$ 716,9 bilhões de abril a junho e R$ 1,3 trilhão no primeiro semestre. Trata-se do melhor semestre desde os primeiros seis meses de 2004, quando o PIB cresceu 6,6%. A taxa acumulada dos últimos 12 meses (encerrados em junho) indica alta de 6% do PIB em relação aos quatro trimestres imediatamente anteriores.

