Dinheiro
10/09/2008 - 14h49

ONU afirma que preços de alimentos continuarão altos por vários anos

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ISABEL SACO
da Efe, em Genebra

O relator especial da ONU (Organização das Nações Unidas) para o Direito à Alimentação, Olivier de Schutter, afirmou nesta quarta-feira que os preços dos alimentos permanecerão altos durante vários anos, apesar de a pior fase da recente crise já ter passado.

Em um relatório perante o plenário do Conselho de Direitos Humanos da ONU, reunido em Genebra, Schutter lembrou que já antes da alta de preços dos produtos básicos, 854 milhões de pessoas enfrentavam a fome no mundo e acrescentou que este número deve ter aumentado em 50 milhões por causa da crise.

Além disso, o recente encarecimento dos alimentos colocou 100 milhões de pessoas na pobreza extrema, segundo as conclusões de seu estudo.

"O pico de preços ficou para trás e, em geral, se observa uma diminuição significativa, de cerca de 20%, desde o início de julho em comparação aos tetos alcançados em maio", explicou Schutter.

No entanto, ele deixou claro que os preços não cairão para os níveis anteriores à crise e que, pelo contrário, "a perspectiva é que se mantenham comparativamente altos" porque os "fatores estruturais da crise se mantêm".

Esses fatores, segundo Schutter, são demandas em expansão por causa do crescimento demográfico, a mudança de hábitos alimentícios, a produção de biocombustível a partir de cultivos essenciais para a alimentação e o impacto da mudança climática.

Ainda mais, previu que caso não sejam aplicadas soluções duráveis para este tipo de crise se repetirá a "cada cinco ou dez anos".

Desta forma, Schutter ressaltou que a crise dos alimentos lançou à luz graves problemas para os quais não se dava a atenção devida e que vão muito além de um desequilíbrio entre oferta e procura, e que, a seu entender, não serão resolvidos com um simples aumento da produção agrícola.

"Produzir mais comida não aliviará a fome daqueles que não têm poder aquisitivo para comprar os alimentos que estão disponíveis", esclareceu.

Schutter explicou o papel exercido nesta situação pelo consumo excessivo e pelo desperdício dos países ricos e dos setores mais poderosos.

"Para produzir uma caloria de carne bovina são necessárias nove calorias de cereais, já para uma caloria de leite se requerem cinco de cereais. Isto é consumo excessivo? Duvido, tudo depende de quanto se consome e alguns países consomem muita carne per capita", declarou.

Schutter também citou um estudo que indica que entre "40% e 50% dos alimentos nos EUA não são consumidos ou são desperdiçados".

O relator frisou que a prioridade deve ser "manter a pressão sobre os governos" perante o perigo de eles "esquecerem as promessas que fizeram" em plena crise dos alimentos, agora que a sensação de gravidade passou.

"Não se deve permitir que os Estados permaneçam passivos enquanto seu povo passa fome", afirmou.

Nesse sentido, Schutter advertiu sobre o perigo de que os investimentos para aumentar a produção agrícola e evitar novas crises se dirijam para grandes explorações, ao invés de reforçarem os pequenos agricultores que, junto com suas famílias, somam 1,5 bilhão de pessoas no mundo.

Schutter reiterou que não se devem favorecer os grandes produtores agrícolas em detrimento dos pequenos.

Sobre o papel dos biocombustíveis na crise, Schutter reconheceu que são responsáveis em parte pelo aumento dos preços dos alimentos, mas considerou que paralisar sua produção --como reivindicava seu antecessor, Jean Ziegler-- não seria a resposta adequada.

"Cada tipo de produção de biocombustível deve ser objeto de um exame específico", disse após se mostrar mais favorável à utilização para este fim da cana-de-açúcar (como faz o Brasil) frente ao milho (Estados Unidos) e o óleo de palma (Indonésia e Malásia).

Comentários dos leitores
Renato Ribeiro de Oliveira (1) 15/10/2009 19h58
Renato Ribeiro de Oliveira (1) 15/10/2009 19h58
A população mundial esta cega! pensando em quanto o mercado de ações vai ser bom, se o dólar vai cair ou subir, e esquecemos de pessoas que estão passando fome a nossa volta.
No mundo composto por 6 bilhões de pessoas, 4 bilhões passam com menos de 2 dólares por dia!
A teoria de Malthus foi quebrada, hoje à alimentos para todos, porém o excedente fica nas mãos de poucas pessoas no mundo.
O que está errado? Nada mais do que o sistema! esse sistema concentrador acaba bdneficiando poucas pessoas e excluindo a grande maioria da população. Como diz o economista chileno Max Neef: A economia esta para servir as pessoas e não o contrário.
Temos que parar com essa corrida desenfrada do excedente, e pensar numa solução justa para todos.

Renato Ribeiro de Oliveira - 4° ano de Economia - FAC FITO - Osasco - SP - Brasil.
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Marcos Antonio Fernandes (5) 14/10/2009 13h34
Marcos Antonio Fernandes (5) 14/10/2009 13h34
Estudos científicos divulgados ao final da década passada indicaram que se todas as nações do mundo, ao invés de aplicarem substanciais parcelas de seus respectivos Produto Interno Bruto (PIB) em materiais bélicos, que, em termos atuais, atinge a extraordinária cifra de 2.000.000.000.000US$ (dois trilhões de dólares) ao ano, em políticas públicas adequadas para o combate a essa gravíssima situação, em apenas 5 (cinco) anos seria possível não só a erradição da fome, quanto a geração de emprego e renda para todos os habitantes do planeta Terra, proporcionando-lhes, por conseguinte, uma vida digna.
É lamentável constatar, pois, de acordo com reconhece, aliás, um dos dirigentes da FAO, que a eliminação da fome e da subnutrição dependa tão-só de vontade política.
Salta à evidência, pois, que o homem está se utilizando, de forma equivocada, do livre arbítrio que o ente supremo lhe concedeu, expondo a condições sub-humanas mais de um bilhão de seus semelhantes.
É bem por isso que o Armagedon se aproxima, nisto crendo quem tem olhos de ver e ouvidos de ouvir.
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Antonio Fouto Dias (2566) 13/10/2009 14h04
Antonio Fouto Dias (2566) 13/10/2009 14h04
Os produtores de cana que se cuidem, uma vez que, quando se iniciar a exploraçãodo pre-sal e o Brasil estiver produzindo muito mais do que sua real necessidade de consumo de petróleo, certamente, mesmo que a Petrobrás não queira, os preços do óleo diesel e da gasolina irão cair, fato que tornará o consumo de álcool não compensador, pois se o preço de ambos os combustíveis estiverem iguais ou próximos, o proprietário do veículo optará pela gasolina, pois será mais econômica.
Se agora, do jeito que está já existem problemas no setor alcooleiro, imaginem então com o preço dos combustíveis oriundos do petróleo de baixo valor.
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