Dinheiro
10/09/2008 - 21h10

Racha do Copom reforça aposta de taxa de juros a 14,25% em outubro

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EPAMINONDAS NETO
da Folha Online

O mercado viu o racha entre os membros do Copom (Comitê de Política Monetária) na reunião deste mês como um reforço da projeção de que o próximo ajuste da taxa Selic será de 0,50 ponto percentual.

Hoje, os membros do Comitê decidiram elevaram a taxa básica de juros de 13% ao ano para 13,75%. Três diretores do Banco Central votaram, no entanto, por um ajuste para 13,50%.

"Não se esperava esse dissenso nesse momento. Para mim, o recado é que alguns diretores do BC já viram uma situação menos desconfortável do que na reunião passada", opina Silvio Campos Neto, economista-chefe do banco Schahin.

O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) revelou hoje que o PIB (a soma das riquezas do país) teve um crescimento de 6,1% no segundo trimestre. Economistas do setor financeiro estimavam um crescimento de 5,2%. O resultado surpreendeu e reforçou as expectativas de que o Copom decidiria, por unanimidade, a elevação da Selic em 0,75 ponto percentual.

"A decisão bastante apertada sinaliza que o Copom já pode voltar para o ritmo de alta de 0,5 ponto percentual na próxima reunião, a ser realizada em outubro", avalia Elson Teles, economista-chefe da corretora Concórdia.

O economista do banco Schahin tem opinião semelhante. "Eu já trabalhava com um cenário menos pressionado que o mercado, com projeção de 0,50 ponto percentual na próxima reunião e mais 0,25 ponto, terminando o ano em 14,50%. Mas, agora é possível começar a ver um cenário até melhor", afirma Campos Neto.

O presidente do Ibef-SP (Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças de São Paulo), Walter Machado, também estima mais um ajuste de 0,50 ponto percentual, mas acredita que possa ser a última elevação da taxa Selic neste ano.

Machado afirma que, no setor, já existe uma expectativa de que a inflação deve cair nos próximos meses: os executivos financeiros contam com um "alívio nos preços dos alimentos", combinada com "a expectativa que os preços das commodities [matérias-primas] não subam até o próximo ano".

Dúvidas

Teles afirma que o cenário de inflação ainda é bastante incerto: embora os índices de preço tenham desacelerado nos últimos meses, a demanda doméstica permanece aquecida. Essa conjunção de fatores pode explicar o dissenso do Comitê.

"A nosso ver, ao manter uma postura de política monetária mais austera, o Copom reforça a sinalização aos agentes econômicos de que está plenamente comprometido em buscar a convergência da inflação para a trajetória de metas em 2009", diz o economista.

"Provavelmente, o que influiu no racha do BC foi um possível cenário de desaceleração da economia. Apesar do PIB [do segundo trimestre] ter vindo muito forte, na verdade, reflete o passado. Nós já começamos a ver alguns sinais, na margem, de moderação da economia, em alguns outros setores isolados", diz o economista do banco Schahin.

"Esse sinais não estão muito claros nesse momento. Mas é possível que até a próxima reunião esse quadro esteja mais definido", acrescenta Campos Neto.

 

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