Centrais reclamam que alta dos juros inibe expansão da economia
da Folha Online
Algumas das principais centrais sindicais criticaram a decisão do Copom (Comitê de Política Econômica) de elevar a taxa Selic para 13,75% ao ano nesta quarta-feira. Para eles, a pressão inflacionária não pode mais ser usada como argumento para a elevação dos juros.
O presidente da CUT (Central Única dos Trabalhadores), Artur Henrique, afirmou que o Banco Central, ao elevar a taxa Selic, pretende "frear o ritmo de expansão do crescimento e sufocar as possibilidades de um ciclo de desenvolvimento sustentável". O sindicalista lembrou que as elevações dos juros não impediram um resultado positivo do PIB.
"Não deixa de ser irônico que o crescimento do PIB não tenha trazido consigo uma explosão inflacionária, contrariando o discurso do Copom", afirmou.
Artur Henrique também afirmou que os índices de inflação já apontam para redução no preço dos alimentos. "Antes que o Copom diga que a queda é fruto de sua política, lembramos que em nota anterior a CUT afirmava que a pressão inflacionária recente era restrita ao item alimentação, com influência internacional sobre a qual a taxa básica de juros não teria eficácia, e portanto não era resultado de superaquecimento da economia nacional, nem mesmo inflação de demanda", afirmou.
O presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, afirmou que o aumento da Selic é "desproporcional às expectativas de disparada da taxa inflacionária". "É que a subida dos preços das mercadorias foi provocada pela redução da oferta e não pela demanda. Por isso, o aumento do juro básico é colossal, inoportuno e inconveniente".
O sindicalista também afirmou que a elevação dos juros "tem um custo muito grande para o país porque impacta a dívida pública, inibe os investimentos produtivos, diminui a demanda e, conseqüentemente, reduz o crescimento econômico e a geração de empregos".
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