Pesquisador avalia alta de US$ 5 mi/dia em custos da Petrobras por questão do gás
CIRILO JUNIOR
da Folha Online, no Rio
Os custos da Petrobras com a operação de termelétricas e refinarias no Sudeste cresceriam de US$ 4 milhões a US$ 5 milhões por dia com a implementação de um plano de contingência, segundo cálculos do diretor do CBIE (Centro Brasileiro de Infra-Estrutura), Rafael Schechtman.
A medida emergencial faria a estatal trocar o gás natural por outras fontes de energia como óleo combustível e óleo diesel dessas unidades. A demanda estimada da própria Petrobras na região é de 14 milhões de metros cúbicos/dia.
Segundo o especialista, o consumo de gás das térmicas que operam no Sudeste é de 10 milhões de metros cúbicos/dia. O custo do gás para que essas unidades operem fica em torno de US$ 2,5 milhões. A troca para 10,3 milhões de litros de óleo diesel elevaria em US$ 6,3 milhões esse gasto.
Schechtman estima que 40% dessas termelétricas são conversíveis, o que limitaria o aumento desse custo em algo próximo de US$ 2 milhões.
"Existe, ao mesmo tempo, a opção de se desligar as térmicas e utilizar mais a água dos reservatórios para gerar mais energia via hidrelétricas. Mas isso pode atrapalhar o planejamento do governo para o ano que vem", explica o especialista, destacando que o governo usava mais energia térmica para poupar os níveis dos reservatórios para períodos de seca.
Refino
No refino, a Petrobras consome 4 milhões de metros cúbicos/dia oriundos da Bolívia. A troca de gás natural por óleo combustível elevaria em pelo menos US$ 2 milhões os custos da estatal na operação dessas unidades. Ele lembra ainda que haveria custos de logística para transportar o óleo até os pontos de consumo, principalmente para as termelétricas.
"A capacidade de tancagem [armazenagem] nessas unidades não é tão grande, e não é comum ter muitos dutos de diesel", observa. Schechtman acrescenta que o cálculo do custo do óleo não leva em conta a incidência de impostos como o ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) e a Cide (Contribuição de Intervenção sobre Domínio Econômico).
Schechtman descartou a possibilidade de a Petrobras aproveitar o GNL (Gás Natural Liquefeito) que já está próximo ao terminal de Pecém (CE), mas que ainda não entrou em operação. Ele lembra que não há dutos para escoar aquele gás, e o transporte por navio ficaria inviabilizado em função de não haver estações compatíveis para receber o navio que está próximo a Pecém.
Bacia de Campos
Outra possibilidade seria direcionar maior parte do gás produzido na bacia de Campos para outras regiões, como São Paulo. O especialista, no entanto, diz que os dutos que ligam essas regiões têm limitações e não poderiam atender a toda a demanda necessária.
Dos 31 milhões de metros cúbicos/dia importados da Bolívia, a maior parte é destinada à região Sudeste, que tem demanda de 51 milhões de metros cúbicos/dia. Apenas uma pequena parte -- entre 3 e 4 milhões de metros cúbicos/dia -- é enviada à região Sul.
"A situação está dramática. Da outra vez que houve problema no fornecimento, por conta de um deslizamento de terra, nossa demanda era de 24 milhões de metros cúbicos/dia", afirmou.


