Bolsas asiáticas fecham em queda com abalo em bancos de investimento nos EUA
da Folha Online
Os mercados asiáticos de ações sentiram nesta segunda-feira o impacto do anúncio da quebra do banco de investimentos Lehman Brothers e da venda do Merril Lynch ao Bank of America. Os principais mercados da região estiveram fechados hoje, mas os que operaram tiveram fortes perdas.
A Bolsa de Mumbai (Índia) fechou em queda de 5,4% no índice Sensex; a Bolsa de Taipé (Taiwan) caiu 4,1%; e Bolsa de Sydney (Austrália) fechou em baixa de 2%; e a Bolsa de Cingapura caiu 2,9%. As Bolsas de Tóquio (Japão), Hong Kong, Seul (Coréia do Sul) e Xangai (China) estiveram fechadas devido a feriados.
O Lehman anunciou que vai declarar sua falência, um dia depois de falharem as negociações de compra da instituição de investimento. O banco informou em comunicado que apresentará a documentação necessária para se declarar em quebra perante o Tribunal de Falências do Distrito Sul de Nova York. O resultado (já esperado) ficou iminente depois que o banco britânico Barclays decidiu abandonar as negociações, no fim de semana.
A quebra do Lehman deve causar prejuízos a todas as instituições com as quais mantinha negócios: o banco perdeu mais de 77% de seu valor de mercado apenas na semana passada. Apenas entre o início de março e o final de agosto deste ano, a instituição financeira perdeu US$ 6,7 bilhões.
O Bank of America também chegou a anunciar seu interesse no Lehman, mas voltou atrás diante da resistência do governo em fornecer financiamento e anunciou a compra do Merrill Lynch por cerca de US$ 50 bilhões.
As mudanças foram necessárias para restaurar a confiança nos mercados, disse a diretora de pesquisa com títulos do Standard & Poor's em Cingapura, Lorraine Tan. "Com sorte, para os EUA, esse pode ser o fim dos fechamentos em potencial de bancos de investimento no país."
O ex-presidente do Fed Alan Greenspan disse ontem que essa é a pior crise dos últimos 50 anos, e provavelmente do último século, e ainda está longe de terminar. "Devemos reconhecer que isso (a crise) é um evento que acontece uma vez a cada meio século", explicou Greenspan no programa "This Week", da rede de televisão ABC.
"Não há nenhuma dúvida de que isso está perto de superar tudo o que já vimos, e ainda está longe de se resolver, ainda deve durar algum tempo", alertou Greenspan; ele estimou ainda que o governo federal "não pode estender uma rede de segurança debaixo de todas as instituições financeiras que quebrarem", destacando que os atuais esforços das autoridades para salvar o Lehman Brothers devem se limitar na busca por uma solução sem recorrer ao Tesouro.
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