Bolsas em NY têm maior queda desde o 11 de Setembro com quebra do Lehman
da Folha Online
As Bolsas americanas fecharam nesta segunda-feira com as maiores quedas em pontos desde os ataques contra o World Trade Center em Nova York em 11 de setembro de 2001. O motivo das quedas foi o abalo sofrido em Wall Street com a quebra do Lehman Brothers Holdings, o quarto maior banco de investimentos dos EUA. Os problemas enfrentados por outros dois gigantes financeiros --o banco Merrill Lynch e a seguradora AIG-- também afetaram os mercados hoje.
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O índice Dow Jones Industrial Average (DJIA), da Nyse (Bolsa de Valores de Nova York, na sigla em inglês), encerrou o dia com baixa de 4,42%, aos 10.917,51 pontos; já o S&P 500, também da Nyse, caiu 4,71%, para 1.192,69 pontos. A Bolsa Nasdaq fechou com baixa de 3,60%, ficando com 2,179.91 pontos.
A quebra do Lehman afetou todos os mercados mundiais. Na Europa, as perdas em Paris e em Londres chegaram a mais de 5% durante o dia, fechando com perdas entre 3% e 4%. A Bovespa fechou com perda de mais de 7%. Na Ásia, o mercado indiano perdeu mais de 5%; as principais Bolsas asiáticas --Tóquio, Xangai, Hong Kong e Seul-- estiveram fechadas devido a um feriado, mas amanhã, na reabertura, os investidores devem sentir os abalos registrados hoje.
O governo americano não repetiu a ação de ajudar as empresas financeiras a evitar a quebra, como fez com as gigantes hipotecárias Fannie Mae e Freddie Mac, que devem receber uma injeção de até US$ 200 bilhões. Sem ajuda do governo, compradores em potencial do Lehman, como o Barclays e o Bank of America, se afastaram do negócio.
O secretário do Tesouro dos EUA, Henry Paulson, disse hoje que nunca considerou apropriado usar dinheiro dos contribuintes para salvar o Lehman. Para o secretário, não é simples ter de decidir colocar em risco dinheiro dos americanos para salvar uma companhia privada. Ele acrescentou que o governo intervir para salvar uma empresa privada, isso encoraja outras empresas a se envolverem em comportamento de risco.
Na manhã de hoje, o banco entrou com o pedido de proteção sob a legislação de falências e concordatas no Tribunal de Falências do Distrito Sul de Nova York. A diretoria do Lehman autorizou o pedido à corte de falências a fim de proteger seus ativos e maximizar valor, segundo comunicado, que diz ainda que o banco deve tomar outras medidas para continuar a gerenciar suas operações --como pedidos de pagamentos de salários e outros benefícios a seus empregados.
Com a situação crítica do Lehman, outras instituições financeiras correram para salvar outro banco tradicional de Wall Street, o Merrill Lynch: o Bank of America comprou o Merrill por cerca de US$ 50 bilhões, consolidando ainda mais sua posição de gigante reforçada já por uma série de compras anteriores que incluem o banco hipotecário Countrywide Financial.
Bank of America, Barclays, Citibank, Credit Suisse, Deutsche Bank, Goldman Sachs, JP Morgan, Merrill Lynch, Morgan Stanley e UBS concordaram cada um em ceder US$ 7 bilhões cada para "ajudar a elevar a liquidez e diminuir a volatilidade e outros desafios que afetam a economia global".
A AIG, por sua vez, obteve permissão do governador do Estado de Nova York, David Paterson, para realizar um empréstimo-ponte para si mesma a fim de utilizar US$ 20 bilhões de capital em suas filiais a fim de aumentar sua liquidez. Paterson disse que esses recursos serão usados "como garantia para pedir emprestado dinheiro para financiar suas operações diárias".
A AIG está finalizando um plano de reestruturação, que inclui a venda de alguns de seus ativos mais valiosos, a busca de mais capital e o pedido de ajuda ao Fed (Federal Reserve, o banco central americano).
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