Bolsas asiáticas têm dia de forte queda, com concordata de Lehman Brothers
da Folha Online
Todas as Bolsas da Ásia abriram e operam nesta terça-feira em forte queda um dia após o pedido de concordata do banco Lehman Brothers nos Estados Unidos. A quebra, anunciada na madrugada de segunda-feira (15), derrubou as Bolsas em todo o mundo ontem, o dia que foi considerado o pior desde o 11 de Setembro.
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A Bovespa liderou a queda nesta segunda. O Ibovespa despencou 7,59% e recuou para os 48.416 pontos.
| Andy Rain/Efe |
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| O banco de investimentos Lehman Brothers, o quarto maior dos Estados Unidos, anunciou que vai declarar concordata |
O índice Nikkei, da Bolsa de Tóquio (Japão), abriu o dia em queda de 3,99%, aos 11.726,98 pontos, no seu primeiro dia após o anúncio --na segunda os mercados japoneses não abriram devido a um feriado local. Ao longo do dia o índice alcançou picos de 5,1% de quedas, o maior recuo em mais de três anos.
"Chegou a haver otimismo com a expectativa de que o governo dos EUA e o Fed [o Banco Central americano] pudessem eventualmente salvar o Lehman, e agora os investidores querem vender tudo em pânico", afirmou Soichiro Monji, diretor do setor de estratégia da Daiwa Investimentos.
Em Hong Kong, o índice Hang Seng começou a operação com recuo de 5,31%, aos 18.325,65 pontos.
A Bolsa de Seul registrou a pior queda entre as Bolsas asiáticas. O índice Kospi, que abriu com retração de 6,19%, aos 1.385,89 pontos, foi arrastado pela crise americana. Graças à forte queda, a Bolsa de Seul foi obrigada a paralisar por cinco minutos as operações de compra e venda de ações.
Pessimismo
A derrocada das Bolsas mundiais ontem começou logo pela manhã, com os mercados asiáticos. A Bolsa indiana despencou 5,4%, enquanto Taiwan perdeu 4,1%. Depois, o nervosismo contagiou os mercados europeus e americanos. Em Londres, a Bolsa local caiu 3,92% enquanto o mercado francês retraiu 3,78% e Frankfurt registrou perda de 2,74%.
Nos EUA, as Bolsas de Valores exibiram seus piores números desde os ataques terroristas de 11 de Setembro: o mundial influente índice Dow Jones retrocedeu 4,42%, enquanto o Nasdaq teve baixa de 3,59%.
O anúncio do Lehman é mais um episódio da crise dos créditos "subprime", que abala o sistema financeiro americano há cerca de um ano e está na origem da desaceleração das economias centrais.
Há semanas, o mercado segue o "drama" do banco de investimentos à procura de um comprador e ainda sob expectativa de uma operação de resgate do governo dos EUA, em moldes semelhantes ao ocorrido com a Fannie Mae e a Freddie Mac, gigantes do setor hipotecário.
As duas expectativas, no entanto, foram frustradas: a "solução de mercado" se perdeu, com a desistência dos potenciais compradores --primeiro, o banco coreano KDB, e depois, o britânico Barclays e neste final, a derradeira 'pá de cal' foi jogada, com a indicação do governo americano de que não resgataria o banco de investimentos.
O anúncio do Lehman também eleva o nível de nervosismo dos mercados devido ao fator "bola da vez". O mercado se lembra de que a situação do setor financeiro americano e europeu continua muito ruim e começa a esperar pela próxima quebra.
Analistas lembram, com algum alívio, de que a mais provável e próxima "bola da vez" já foi equacionada: o banco Merrill Lynch foi vendido ao Bank of America por US$ 50 bilhões. Temem, no entanto, pela seguradora AIG e pelo banco Washington Mutual.
Além disso, o Fed cumpriu a promessa de disponibilizar dinheiro para salvar os bancos dos Estados Unidos, com a liberação nesta segunda-feira de uma verba de refinanciamento de US$ 70 bilhões. Estas operações de refinanciamento permitem aos bancos comerciais, e desde março aos bancos de negócios, obter dinheiro em troca de títulos financeiros.
| Arte Folha | ||
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