Mercado interno será tábua de salvação para momento de crise, diz Lula
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta terça-feira que a "tábua de salvação" do Brasil neste momento de crise financeira dos Estados Unidos será o mercado interno. Apesar de admitir que a crise poderá atingir a economia brasileira, Lula afirmou que o impacto será "muito menor" do que em qualquer outro momento da história brasileira.
"Vamos continuar acreditando que o mercado interno pode ser a grande tábua para que o Brasil não tenha nenhum peso maior com a crise americana", afirmou.
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Lula disse que os impactos da turbulência nos mercados serão "quase imperceptíveis" no Brasil, mesmo diante da importância dos Estados Unidos para a economia mundial.
"Obviamente que, tendo recessão nos Estados Unidos muito profunda, pode atingir o mundo inteiro porque é a maior economia do mundo. Ela pode atingir, mas certamente atingirá o Brasil menos do que em qualquer outro momento. [O impacto será] muito menor, quase imperceptível", afirmou.
Lula disse que o governo brasileiro acompanha com atenção os desdobramentos da crise internacional ao comparar o desempenho da equipe econômica com a de um médico pós- cirurgia.
"Estamos tranqüilos, porém atentos. É como um médico responsável, que faz a cirurgia no seu paciente e não vai embora para casa não, fica lá para acompanhar a reação. Nós estamos acompanhando a cada dia o que está acontecendo na economia", afirmou.
"Subprime"
O presidente comemorou o fato de o Brasil não estar "metido no subprime" [hipotecas de segunda linha], além de ter diversificado sua balança comercial nos últimos anos. "O Brasil está em situação mais confortável porque não temos hoje economia dependente da balança comercial que tínhamos com os Estados Unidos há 20 anos. Tínhamos uma balança comercial que significava quase 30% com os EUA, hoje significa 15%."
Segundo Lula, o fortalecimento de laços comerciais do Brasil com a América do Sul, América Latina, África e a Ásia permitiu ao país "estar tranqüilo" em meio à crise internacional. O presidente disse ainda que as reservas brasileiras também vão permitir ao país enfrentar a turbulência econômica mundial.
"A tranqüilidade que nós temos, que é ao mesmo tempo preocupação, é que o Brasil está numa situação eu diria estável porque tem colchão importante que são US$ 205 bilhões de reserva."
Conversas
Lula disse que vêm mantendo conversas diárias com outros presidentes e primeiros-ministros para discutir a crise internacional. O presidente admitiu, porém, que ninguém tem previsões sobre o futuro da turbulência norte-americana nos mercados mundiais.
"Tenho conversado com muitos presidentes, primeiros ministros, ninguém tem clareza ainda, todo dia nós temos uma surpresa. Significa que o cassino imobiliário era muito maior do que a gente podia imaginar", afirmou.
O presidente negou que o aumento na taxa básica de juros brasileira (Selic) tenha qualquer relação com a crise norte-americana. "O aumento da Selic começou antes disso, começou por conta da inflação, não tem nada a ver com a crise americana", afirmou.
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