Bovespa fecha em alta de 1,68%; mercado dá trégua na crise
Atualizado às 18h10
da Folha Online
A Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) teve um momento de trégua na crise financeira, invertendo a tendência de abertura e recuperando, perto do final do pregão, uma parcela bastante modesta das perdas acumuladas no mês (12,4%, até segunda-feira). Ontem, a Bolsa paulista sofreu sua pior queda desde a data histórica de 11 de setembro de 2001.
O termômetro dos negócios da Bolsa paulista, o Ibovespa, valorizou 1,68% e alcançou os 49.228 pontos. O giro financeiro foi de R$ 6,46 bilhões.
A recuperação foi puxada pelas duas ações carro-chefe da Bolsa de Valores: Petrobras e Vale do Rio Doce. A ação da estatal petrolífera, que sozinha girou R$ 1 bilhão, teve ganho de 5,03%, enquanto a ação da mineradora subiu 3,74%, com movimento de R$ 728 milhões.
O dólar comercial foi cotado a R$ 1,824 na venda, o que representa um acréscimo de 0,88% sobre a cotação de ontem. A taxa de risco-país marca 340 pontos, num salto de 10% sobre a pontuação anterior.
O temor dos investidores de uma recessão nas economias centrais afetou as Bolsas de Valores mundiais, a começar pelas asiáticas --o mercado japonês desabou 4,95%-- prosseguindo pelas européias -- a Bolsa londrina caiu 3,43%, o mercado alemão cedeu 1,63%-- e atingindo a mundialmente influente Bolsa de Nova York (EUA).
A Bolsa americana passou boa parte do dia registrando perdas sobre perdas, para recuperar parcialmente perto do encerramento dos negócios: o índice Dow Jones fechou o expediente 1,30% mais alto, em meio a rumores de que a seguradora AIG pode receber ajuda oficial.
"Para mim, a [seguradora] AIG era o problema mais delicado deste momento. Quanto ao [banco] Lehman, eu sabia que estava 'respirando somente por aparelhos' há muito tempo. A AIG é a maior seguradora do mundo e as ações caíram significativamente nos últimos dias", comenta Rossano Oltramari, sócio-diretor da XP investimentos.
O mercado aguardou com alguma ansiedade o Federal Reserve (banco central dos EUA), que não surpreendeu e manteve a taxa básica de juros dos EUA em 2% ao ano. Uma parcela dos analistas apostava em uma redução para 1,75% e uma corrente ainda mais "radical" defendia um corte para 1,50%. Prevaleceu, no entanto, a cautela diante das turbulências do mercado financeiro.
"As tensões nos mercados financeiros aumentaram de modo significativo e os mercados de trabalho enfraqueceram mais", assinalaram os diretores do Fed, acrescentando que "os riscos de baixa ao crescimento e os riscos de alta da inflação são preocupação significativa do comitê".
AIG
A quebra do banco de investimentos Lehman Brothers, devido às perdas com a crise dos créditos "subprime", exacerbou a aversão dos grandes investidores globais a riscos. É sintomático que, pelo quarto mês, o saldo de investimentos estrangeiros na Bolsa continue negativo. Segundo a Bovespa, até o pregão do dia 11, as vendas de ações superavam as compras em R$ 909,7 milhões.
O episódio Lehman criou um temor generalizado no mercado, que monitora e procura antecipar a próxima "bola da vez". Também exposta aos créditos de alto risco que fizeram a ruína do banco de investimentos americano, a gigante do mercado de seguros AIG está no centro das preocupações desde ontem.
Hoje, para evitar o pior, a seguradora foi autorizada a receber uma injeção de capital de suas filiais no exterior. A seguradora americana precisa levantar US$ 20 bilhões para honrar seus compromissos com investidores.
Inflação nos EUA e no Brasil
Entre outras notícias do dia, o Departamento do Trabalho dos EUA informou que o CPI (Índice de Preços ao Consumidor, na sigla em inglês) mostrou deflação de 0,1% em agosto, uma forte desaceleração em relação a julho, quando houve alta de 0,8%. O núcleo do indicador, que expurga os preços de energia e alimentos, teve variação de 0,2%.
Outro banco exposto aos "subprimes", o Goldman Sachs reportou um lucro de US$ 845 milhões (US$ 1,81 por ação) no trimestre encerrado no dia 29 de agosto. O número representa um decréscimo de 70% na comparação com os resultados apurados no mesmo período em 2007. Apesar disso, o resultado foi visto com bons olhos por Wall Street em comparação com a quebra do Lehman, a venda do Merrill Lynch e os problemas da AIG.
No front doméstico, a FGV (Fundação Getúlio Vargas) revelou que o IGP-10 apontou deflação de 0,42%, em setembro, contra uma alta de 0,38% em agosto. Somente os preços no atacado (o componente IPA) tiveram deflação de 0,75%.
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Mais, investidor sozinho nao faz volume nenhum, nem em Nova Iorque e muito menes em SP...aos jornalistas podem falar o que quiserem, quem manda nos mercados sao os fundos.
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Eh simples, qd o dolar sai os investimentos em reais tem que ser convertidos pra dolar, isso aumenta a demanda por dolar e consequentemente aumenta o preco da moeda....quando o dolar entra eh o contrario, alguem tem que vender dolar pra pegar reais p/ investir no Brasil...qd os investimentos voltarem o dolar pra pra perto do R$1...acho que por final de 2010.
Exportadores que se segurem.
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