Dinheiro
16/09/2008 - 18h24

Bolsas dos EUA sobem mais de 1% com Fed e possível sobrevida da AIG

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da Folha Online

Após amargar perdas severas ontem e operar parte do pregão desta terça-feira em baixa, as Bolsas americanas inverteram a trajetória e fecharam no azul. O desempenho foi estimulado, sobretudo, pela esperança de um resgate da seguradora AIG. A decisão do Fed (Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos) em manter a taxa de juros de manter sua taxa de juros em 2% ao ano também foi vista como sinal que a economia não tem necessidade de tal estímulo no momento.

O DJIA (Dow Jones Industrial Average) avançou 1,3% depois de perder 500 pontos na segunda-feira, e fechou a 11.059,02 pontos. O índice Nasdaq, de alto componente tecnológico, ganhou 1,28%, aos 2.207,90 pontos. Já o índice ampliado Standard & Poor's 500 subiu 1,75%, para 1.213,60 pontos.

"Tivemos uma recuperação técnica", explicou Art Hoga, da Jefferies. "No mercado, se acredita que o Fed poderia intervir em favor do AIG, que subitamente limitou suas perdas. Mas são somente especulações, em realidade, ninguém sabe", ponderou.

A AIG se lançou em uma corrida contra o relógio para captar US$ 75 bilhões necessários para escapar da quebra e sua ação caiu 21,22%, a US$ 3,75, logo após perder 31% na sexta-feira e 61% na segunda-feira.

Mas a seguradora limitou em grande parte seus ganhos, assim que as ações caíram, no começo da sessão, a US$ 1,25.

O Fed decidiu manter, nesta terça-feira, sua taxa de juros em 2% ao ano pela terceira reunião consecutiva. A expectativa dos analistas era de um corte de ao menos 0,25 ponto percentual, mas a manutenção foi vista como sinal para mostrar que a economia não tem necessidade de mais estímulos como esse no momento.

Os índices caíram nos minutos seguintes ao anúncio, mas se restabeleceram.

"Ao se ler as entrelinhas do comunicado do Fed, este estima que a economia se desacelera, mas que não deve entrar em uma espiral de crise", disse Peter Cardillo, de Avalon Partners.

Mesmo assim, a nota do Fed reconhece que "as tensões nos mercados financeiros aumentaram de modo significativo".

Em pouco mais de uma semana, o governo preparou uma ajuda de até US$ 200 bilhões para as hipotecárias Fannie Mae e Freddie Mac; o Lehman Brothers pediu concordata; o Merrill Lynch foi vendido ao Bank of America; e a seguradora AIG enfrenta problemas para reforçar seu caixa.

Segundo o site do jornal "Financial Times", o Lehman Brothers fechou um acordo, nesta terça-feira, para vender partes do banco para o britânico Barclays. No fim de semana, o Barclays participou das conversas para discutir o futuro do banco de investimentos norte-americano, que ontem anunciou o pedido de concordata por não achar compradores.

O comunicado do Fed ainda destaca uma desaceleração dos gastos por domicílio nos EUA, condições restritas do crédito, a contração em curso no mercado imobiliário e a desaceleração no crescimento das exportações. Para a inflação, o Fed espera uma moderação mais à frente neste ano e no próximo, "mas o cenário de inflação permanece altamente incerto".

O Fed lembra ainda que os cortes de juros já efetuados e as injeções de recursos para aumentar a liquidez do mercado "devem ajudar a promover um crescimento econômico moderado".

Hoje também o banco americano de investimentos Goldman Sachs anunciou uma queda de 70% em seu lucro líquido, que ficou em US$ 845 milhões (US$ 1,81 por ação) no trimestre encerrado no dia 29 de agosto. No mesmo período de 2007, o lucro da instituição havia ficado em US$ 2,85 bilhões (US$ 6,13 por ação).

Com Efe e France Presse

 

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