Bovespa ainda deve cair mais antes de tentar recuperação
EPAMINONDAS NETO
da Folha Online
É opinião corrente entre analistas que a Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) ainda não chegou ao fundo do poço. Ontem, o "preço" da Bolsa, o índice Ibovespa, caiu para os 46.260 pontos no pior momento do dia e pode despencar ainda mais antes do mercado acionário ter chance real de recuperação, segundo especialistas ouvidos pela Folha Online
Para se ter uma idéia, o Ibovespa chegou à pontuação recorde de 73.516 pontos em maio deste ano. Os analistas ouvidos pela reportagem disseram que o indicador pode cair para 45.500 pontos. O Ibovespa reflete os preços das ações preferidas pelos investidores; se cai, significa que os participantes da Bolsa priorizaram vender do que manter ou comprar os papéis de empresas.
Rossano Oltramari, sócio-diretor da XP investimentos, observa que o mercado pode sofrer novas turbulências, se outras grandes instituições financeiras, a exemplo do Lehman Brothers, revelarem perdas bilionárias ou entrarem em condição falimentar.
Ele avalia, porém, que os fundamentos econômicos do Brasil melhoraram, e que ações de grandes e sólidas empresas ficaram baratas demais. "A economia brasileira está muito em evidência. Eu concordo que o cenário ainda continua muito nebuloso, mas assim que a situação melhorar um pouco, os estrangeiros voltam", afirma.
Oltramari também confia que as autoridades americanas atuem para evitar um aprofundamento da crise financeira. "O [Ben] Bernanke [presidente do banco central americano] é um especialista em crise, é a pessoa mais indicada para lidar com a situação", afirma. Ele espera que o Ibovespa atinja os 60.000 pontos em dezembro.
O fundo do poço
O analista técnico da corretora Solidez, Celso Yoshida, espera que o índice Ibovespa caia até os 47.700 pontos para que, a partir desse ponto, comece a recuperar. "Mas acho que o mercado não vai segurar esse nível. E pode buscar o próximo patamar, a 45.500 pontos", afirma ele. "Esse nível é muito importante. Muita gente acredita que nesse ponto, a Bolsa brasileira volta a ficar interessante para os investidores estrangeiros".
O retorno do capital externo é considerado fundamental por muitos analistas para a retomada da tendência de alta: os estrangeiros respondem por mais de um terço do volume de negócios. Nos últimos três meses, eles somente tiraram dinheiro da Bolsa brasileira. E neste mês, o saldo continua negativo: as vendas superavam as compras em R$ 909 milhões.
Analistas técnicos utilizam padrões estatísticos para montar cenários para a Bovespa. Eles procuram identificar os momentos em que se acumulam as ordens de compra ou de venda que podem fazer a Bolsa mudar de tendência.
"[Nesse nível de 45.500 pontos] se um estrangeiro começa a entrar, os outros tendem a seguir e cria um bola de neve. A Bolsa pode voltar aos 60 mil pontos, mas acho que passar desse ponto vai ser muito difícil", acrescenta Yoshida.
Outro analista técnico, Fausto Botelho, da Enfoque Informações Financeiras, tem uma visão mais pessimista da Bolsa brasileira. Ele estima que o Ibovespa pode chegar abaixo dos 40 mil pontos nos próximos meses antes de efetivamente retomar uma tendência consistente de alta.
Para o analista, o mercado doméstico entrou numa tendência muito mais longa de baixa. Ele lembra que, nos últimos cinco anos, os investidores que apostavam na baixa do mercado "levaram uma surra" dos investidores que esperam a alta. Mas que isso mudou a partir de agora.
"Nós atingimos níveis distorcidos de preços, em função da euforia com as descobertas de petróleo da Petrobras, e também por causa do entusiasmo com o 'investment grade'. Nós temos muita gordura para queimar", afirma. Embora admita que os fundamentos da economia brasileira melhoraram, na definição dos movimentos da Bolsa, ressalta, o "comportamento de manada" prevalece.
"No curto prazo, os fluxos prevalecem sobre os fundamentos, mas no médio prazo, o mercado sempre tende a seguir os fundamentos", discorda Oltramari.
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A redução da desigualdade NUNCA havia sido feita por governo nenhum do país! (eu digo isso com muita tristeza).
O documentário feito pela BBC- MUIT ALÉM DO CIDADÃO KANE (disponível no youtube) - feito pela Inglaterra revela esta desigualdade social. O curioso é que ainda revela outras situações importantes que só dá pra discutir quem já assistiu (como o interesse da REDE GLOBO de influenciar nas eleições sempre para o lado que mais interessa à emissora e não a sociedade).
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Porém, a quantidade é inversamente proporcional à qualidade.
Foram gerados inumeros empregos, obras do PAC, inclusão social através do bolsa familia, aumento de universitários, porém, tudo de baixa qualidade.
E o que era de qualidade razoável, está ficando ruim tambem.
Do ponto de vista em nivelar "por baixo" , realmente o Brasil esta indo bem.
[]s
Eduardo.
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