EUA tentam encontrar comprador para banco de poupanças, diz jornal
da Folha Online
As autoridades reguladoras do sistema bancário dos EUA têm procurado bancos privados na tentativa de interessá-los pela compra do banco Washington Mutual (WaMu), o maior do país no segmento de poupança e empréstimos ("savings & loans"). O objetivo é impedir que a empresa tenha um fim como o do Lehman Brothers e como o que quase tiveram o Merrill Lynch e a seguradora AIG, segundo reportagem desta quarta-feira no diário americano "New York Post" ("NYP").
Segundo o texto, foram procurados os bancos Wells Fargo --um dos que tem se mantido relativamente estáveis em meio à crise--, JP Morgan Chase --que adquiriu o Bear Stearns em março deste ano--, HSBC e outros, a fim de avaliar que interesse teriam em adquirir o WaMu. O "NYP", no entanto, destaca que ainda não há conversas sobre uma eventual fusão do banco com uma outra instituição.
Hoje, as ações do WaMu registram queda de cerca de 7%. Ontem, os papéis do banco fecharam em alta de 16%, mas, durante o dia, chegaram a cair 25%. Na segunda-feira (15), a agência de classificação Standard & Poor's (S&P) cortou a nota das ações do banco para o nível de papéis de altíssimo risco alegando o clima de "turbulência crescente no mercado". A S&P, no entanto, destacou que a base de clientes do WaMu parece estável e que o banco tem liquidez suficiente para cumprir suas obrigações até 2010.
O texto lembra que até junho o banco tinha cerca de 42,2 milhões de contas, na maioria com depósitos abaixo do limite máximo garantido pelo governo, de US$ 100 mil. Os depósitos no banco chegam a um total de cerca de US$ 143 bilhões, diz o "NYP". Clientes do banco ouvidos pela reportagem disseram que já se preocupam com seus depósitos no WaMu.
O JP Morgan negou rumores que circularam ontem sobre um eventual interesse em adquirir o banco.
Em abril deste ano, o WaMu recebeu uma injeção de capital de US$ 7 bilhões do fundo de "private equity" (especializado em compra de participações de empresas pequenas ou em dificuldades) TPG, depois que o banco anunciou um prejuízo líquido de US$ 1,1 bilhão no primeiro trimestre fiscal de 2008. O principal motivo para o prejuízo foi a forte exposição do banco aos papéis de crédito imobiliário de alto risco ("subprime") no país. O Washington Mutual informou que tais papéis trouxeram perdas de US$ 3,5 bilhões no período.
O Lehman teve de pedir concordata devido à impossibilidade de levantar capital para honrar compromissos; o Merrill Lynch foi vendido ao Bank of America. Já a AIG teve mais sorte: obteve ontem do Federal Reserve (Fed, o BC americano) um empréstimo de US$ 85 bilhões. "Esse empréstimo facilitará o processo por meio do qual a AIG venderá alguns de seus negócios de forma ordenada, com a menor alteração possível na economia geral", diz a nota do BC americano.
Leia mais
- Tesouro dos EUA fará leilões extras para ajudar Fed
- Mantega aprova socorro à AIG, mas diz que crise não termina agora
- Entenda a operação de resgate da seguradora AIG
- China tomará medidas para proteger setor de seguros da crise nos EUA
- Crise financeira está longe do fim, diz megainvestidor George Soros
Especial
- Leia o que já foi publicado sobre a crise de crédito nos EUA
- Navegue no melhor roteiro de cultura e diversão da internet
Livraria

