Bolsas dos EUA caem mais de 4% após resgate da AIG pelo governo
da Folha Online
da France Presse, em Washington
As Bolsas americanas fecharam em forte queda nesta quarta-feira, sem que a decisão do Fed (Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos) em resgatar a seguradora AIG (American International Group) acalmasse o mercado.
A Nyse (Bolsa de Valores de Nova York, na sigla em inglês) registrou perdas de 4,06%, para 10.609,66 pontos no índice Dow Jones Industrial Average (DJIA), enquanto o S&P 500 caiu 4,71%, para 1.156,39 pontos. A Bolsa Nasdaq recuou 4,94%, indo para 2.098,85 pontos.
Na segunda-feira, Wall Street havia registrado sua queda mais violenta (menos 504 pontos) desde os atentados de 11 de setembro de 2001. Este novo recuo ocorre logo após uma inédita intervenção do Fed para salvar a líder mundial de seguros, AIG, ameaçada de quebrar.
"O mercado está muito volátil. Há muitas informações e rumores circulando", disse Mace Blicksilver, da Marblehead Asset Management.
A nacionalização da AIG não tranqüilizou o mercado que, pelo contrário, teme a gravidade da crise, após a concessão de um empréstimo de US$ 85 bilhões à seguradora AIG, para evitar que a empresa tivesse o mesmo destino do banco de investimentos Lehman Brothers, que pediu concordata.
Em troca, o governo vai assumir o controle de quase 80% das ações da empresa e o gerenciamento dos negócios.
O pessimismo dos investidores se converteu em um movimento de venda das ações. "Será muito difícil haver uma recuperação daqui ao fim de semana. Há opções que vencem na sexta-feira e inúmeros títulos necessitam ser vendidos, mais do que comprados", advertiu Blicksilver.
Para Elie Cohen, diretor da CNRS, "esta operação de salvamento do AIG é também uma má notícia, pois significa que a crise continua, mas, ao mesmo tempo, é uma boa notícia no sentido de que o governo se afirma em suas convicções para evitar uma crise sistêmica".
Segundo o jornal "New York Post", as autoridades norte-americanas estão em busca de um comprador para o Washington Mutual, um grande banco de Seattle, que se desintegra diante da forte exposição do banco aos papéis de crédito imobiliário de alto risco ("subprime") no país. As ações do banco, castigadas há duas semanas, perderam 13,36%, a US$ 2,01.
Depois da "eliminação" de três dos cinco bancos de negócios de Wall Street --Bear Stearns, Lehman Brothers e Merrill Lynch, comprado no domingo pelo Bank of America-- a especulação se dirige agora para o número dois do setor: o Morgan Stanley.
A ação do Morgan Stanley caiu 24,22% a US$ 21,75, ainda que o banco tenha publicado resultados trimestrais satisfatórios, com ganhos de US$ 1,42 bilhão, levemente inferior ao resultado de um ano atrás.
Construção
Dados sobre o mercado imobiliário, divulgados pelo Departamento do Comércio nesta quarta-feira, também agravaram os temores. A construção nos EUA registrou queda de 6,2% de julho para agosto, e baixa de 33,1% em agosto em relação ao ritmo de atividade há um ano.
Segundo analistas do setor, a atividade de construção deve cair mais nos próximos trimestres, até que o nível dos estoques de casas à venda diminua o suficiente para que as empresas de construção possam voltar a operar normalmente.
O número de alvarás de construção emitidos (que sinalizam a atividade de construção nos próximos meses) teve queda de 8,9% no mês passado, para uma taxa anualizada de 854 mil unidades.
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