Seis bancos centrais anunciam medida coordenada contra crise financeira
da Folha Online
Os seis principais bancos centrais do mundo anunciaram nesta quinta-feira uma ação coordenada para enfrentar a falta de liquidez nos mercados financeiros globais e tentar acabar com a crise que afeta a economia dos Estados Unidos e o resto do mundo.
"A medida foi tomada para frear as contínuas pressões sobre o dólar nos mercados", afirmaram os bancos. Fazem parte do acordo o BoJ (Banco Central do Japão), o Fed (EUA), o BCE (Banco Central Europeu), o BoE (Reino Unido), o SNB (Suíça) e o Banco do Canadá.
Entre as medidas do acordo, o Fed planeja autorizar mais US$ 180 bilhões; o BoE e o BCE devem oferecer, cada um, empréstimos de US$ 40 bilhões; e o BoJ deve lançar um plano de apoio às operações com dólar para proporcionar fundos aos participantes do mercado no Japão caso seja necessário.
"Os bancos centrais continuarão a trabalhar juntos para dar os passos certos e cortar as pressões crescentes", declarou o BCE.
A ação segue um dia de fortes quedas em todos os mercados, ainda com temor de restrição ao crédito que contaminou os mercados após a quebra do Lehman Brothers, a compra do Merrill Lynch e os problemas da AIG.
Hoje as Bolsas asiáticas operaram com perdas durante praticamente todo o dia. O anúncio não foi suficiente para reverter a tendência na Ásia. O Nikkei, índice dos negócios da Bolsa de Tóquio (Japão), fechou com a pior queda em três anos --2,2%, aos 11.489,30 pontos. Em Hong Kong, onde o índice Hang Seng chegou a cair 7,3%, o mercado fechou aos 0,03% negativos. Na China, Xangai fechou com recuo de 1,72%. Em Seul (Coréia do Sul), as perdas estavam perto dos 2,30%.
Ontem, as Bolsas americanas e européias fecharam em forte queda sem que a decisão do Fed acalmasse o mercado. No Brasil, a Bovespa desvalorizou.
Problemas
"Obviamente a medida não ataca a raiz dos problemas, mas ajuda a livrar de algumas das tensões imediatas que crescem no mercado financeiro", disse Ian Stannard, estrategista do banco BNP Paribas.
O anúncio do empréstimo de US$ 85 bilhões à seguradora AIG animou inicialmente os mercados, favorecendo as Bolsas asiáticas e ajudando na abertura das Bolsas européias. Em troca, o governo vai assumir o controle de quase 80% das ações da empresa e o gerenciamento dos negócios.
No entanto, o que prevaleceu foi o medo da próxima "bola da vez" --a incerteza sobre qual será a próxima instituição financeira a quebrar.
O Morgan Stanley, um dos dois bancos de investimentos independentes dos Estados Unidos que ainda sobrevivem à crise, negocia uma fusão com a Wachovia Corporation, segundo o jornal "The New York Times". Já a rede de informação financeira CNBC informou que o Morgan Stanley analisa uma possível venda ao banco chinês CITIC.
Já o Washington Mutual, um banco comercial, também está discutindo com vários instituições financeiras a sua venda, ainda segundo o jornal. Os dois bancos vêm sendo apontados nos últimos dias como os mais prováveis a caírem na atual crise.
Ontem, as ações o Morgan Stanley tiveram a maior queda da história da instituição, de 24,22% (a retração chega a 40% nos últimos três dias). Enquanto isso, os papéis do Washington Mutual já se desvalorizaram 85,23% neste ano (13,36% só ontem).
O pessimismo dos investidores se converteu em um movimento de venda das ações. "Será muito difícil haver uma recuperação daqui ao fim de semana. Há opções que vencem na sexta-feira e inúmeros títulos necessitam ser vendidos, mais do que comprados", disse ontem Mace Blicksilver, da Marblehead Asset Management.
"O temor com o crédito alcançou o clímax. É presunção acreditar que isso acabaria em um dia", afirmou Harushige Kobayashi, do Securities Japan. "O mercado ignora os fundamentos e deixa 95% ser guiado por fatores psicológicos."
Quebra e ajuda
Na segunda-feira, com a quebra do Lehman Brothers, as Bolsas fecharam com as maiores quedas em pontos desde os ataques contra o World Trade Center em Nova York em 11 de setembro de 2001.
Em seguida, o banco entrou com o pedido de proteção sob a legislação de falências e concordatas no Tribunal de Falências do Distrito Sul de Nova York.
Com a situação crítica do Lehman, outras instituições financeiras correram para salvar outro banco tradicional de Wall Street, o Merrill Lynch: o Bank of America comprou o Merrill por cerca de US$ 50 bilhões, consolidando ainda mais sua posição de gigante reforçada já por uma série de compras anteriores que incluem o banco hipotecário Countrywide Financial.
No dia seguinte, a AIG conseguiu uma injeção de US$ 85 bilhões do governo a fim de aumentar sua liquidez.
Com Folha de S.Paulo e agências Reuters, Efe e Associated Press
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Um credor só está realmente seguro quando seu devedor dispõe de renda anual suficiente para quitar a dívida. Se os EU tivessem superávit primário, isto é, maior arrecadação do que despesa, no valor de um trilhão por ano, passariam 14 anos para pagar a seus credores. Isto, sem falar nos juros! Em vez de superávit, o Império terá este ano um déficit fiscal de mais de um trilhão e meio.
Em respeito à ciência financeira, esses credores nunca mais receberiam seus créditos. Em respeito ao arcenal bélico do devedor, todos os credores estão tranquilos... Seria o chefão do morro devendo a todo morador, mas todos tranquilos e muito confiantes no poder de fogo do valentão!
O perigo é o chefão dizer que não pode pagar agora e que todos esperem mais uns 50 anos. Mesmo com muito dinheiro para receber, quem iria enchocalhar a onça pintada?!
O Lula deveria criar o banco Unasul e nele todos os países latinos depositariam suas reservas em moeda forte.
Os credores dos EU não devem esquecer que esse grande devedor está sustentando várias guerras: no Iraque, no Afeganistão, no Paquistão e mais de 900 bases militares, e de quebra 7 só na Colômbia.
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Obviamente é fácil concluir a podridão de tudo isso.
País sem empresas de tecnologia e educação de qualidade, é país "oco".Sobe e desse rápido.
[]s
Eduardo.
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