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Dinheiro
18/09/2008 - 09h08

Copom diz que inflação não apresentou melhora "convincente"

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EDUARDO CUCOLO
da Folha Online, em Brasília

Atualizado às 9h12

A maior parte dos diretores do Banco Central acredita que a inflação ainda não apresentou melhora suficiente para justificar um aumento menor da taxa de juros. As informações fazem parte da ata da última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central).

Na semana passada, o BC aumentou a taxa básica de juros de 13% para 13,75% ao ano. A decisão não foi unânime: cinco diretores votaram por esse aumento; outros três queriam uma alta menor, de 0,5 ponto percentual.

Projeções de inflação do Copom recuam, mas continuam acima da meta

Para a maior parte do Copom, nem mesmo a desaceleração da economia mundial e seu impacto na economia brasileira podem garantir a manutenção da inflação dentro das metas.

"Parte do Comitê avalia que, desde a última reunião, acumularam-se sinais de acentuada deterioração da atividade nas economias centrais, acarretando certa melhora nas perspectivas inflacionárias globais, em parte em função da queda dos preços de commodities", diz a ata.

Para esses três diretores, esse cenário teria possíveis impactos "contracionistas", inclusive por meio da redução do crédito. Esses fatores, somados aos efeitos defasados do aumento dos juros desde o início do ano, ajudariam a reduzir os riscos inflacionários.

Segundo o BC, "esses membros do Copom consideraram que seria "mais apropriado", já neste momento, elevar a taxa básica em 50 ponto.

Mas essa não foi a avaliação da maioria. "A maioria do Comitê, entretanto, considera neste momento que, em que pese a deterioração das perspectivas para o crescimento econômico mundial, os riscos para a materialização de um cenário inflacionário benigno no país não apresentaram ainda melhora suficientemente convincente.".

De acordo com a ata, esses membros do comitê avaliam que não se acumularam até o momento sinais consistentes de redução do descompasso entre o ritmo de expansão da demanda e da oferta.

Para eles, "a ancoragem das expectativas à trajetória de metas precisaria ser reforçada", por isso, o aumento de 0,75 ponto.

Afastamento da meta

A inflação medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), que serve como meta para o BC, recuou em julho e agosto. Em 12 meses, registrou a primeira desaceleração desde outubro de 2007 e ficou em 6,17%, perto do teto da meta, que é de 6,5% (meta de 4,5% mais dois pontos de tolerância).

Para setembro, o Copom diz que "evidências preliminares" apontam inflação similar a observada em agosto, porém acima do verificado em setembro de 2007.

"A despeito de certa melhora na dinâmica inflacionária na margem, ainda não se consolidou o processo de reversão da tendência de progressivo afastamento da inflação em relação à trajetória de metas, que vinha se verificando desde o final de 2007."

O BC também avalia que a inflação continuar disseminada na economia e que, mesmo descontado o aumento no preço dos alimentos, a inflação continua acima do centro da meta.

Apesar de o Ministério da Fazenda avaliar que a desaceleração nos preços das commodities, como alimentos e petróleo, já está mostrando que a inflação está sob controle, o BC avalia que o consumo interno continua colocando em risco a "dinâmica inflacionária".

"Uma acomodação dos preços de commodities, da qual surgiram evidências mais consistentes nas últimas semanas, poderia contribuir para evitar que as pressões inflacionárias se intensifiquem ainda mais", diz o BC.

"Entretanto, o Copom avalia que o ritmo de expansão da demanda doméstica, que deve continuar sendo sustentado, entre outros fatores, pelo crescimento da renda e do crédito, continua colocando riscos importantes para a dinâmica inflacionária."

PIB robusto

Apesar da discordância entre o BC e o Ministério da Fazenda em relação à inflação e aos juros, ambos concordam que a economia continua crescendo de forma "robusta", adjetivo empregado freqüentemente pelo ministro Mantega.

Em relação ao crescimento da economia apontado pelos números do PIB (Produto Interno Bruto) divulgados na semana passada, o BC afirmou que os dados mostraram "a sustentação de taxas robustas de crescimento" a economia cresceu 6,1% no segundo trimestre.

 

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