Menos concentrada, renda do brasileiro cresce, mas em ritmo menor
LUISA BELCHIOR
Colaboração para a Folha Online, no Rio
O trabalhador brasileiro recebeu, em média, R$ 960 por mês em 2007. A renda, melhor distribuída, foi 3,2% maior que em 2006, e cresceu pelo terceiro ano consecutivo. Mas ainda não alcançou os patamares de uma década atrás. O ritmo de crescimento também está mais lento --foi menos que o dobro do de 2006.
As conclusões são da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), divulgada nesta quinta-feira. A pesquisa, que faz levantamentos socioeconômicos anuais da população brasileira, coletou dados em 147.851 domicílios de 851 municípios do Brasil.
O rendimento médio de R$ 960 (em dados harmonizados com anos anteriores) foi o maior desde 2003, quando a renda média era de R$ 831. Ainda não alcançou, porém, os índices registrados pela Pnad em 1998 e 1997 --R$ 1.003 e R$ 1.011, respectivamente.
A recuperação desses patamares, se vier, acontecerá em ritmo mais lento que nos anos anteriores, de acordo com os dados revelados na pesquisa. Enquanto o incremento da renda em 2007 foi de 3,2%, em 2006 o crescimento foi de 7,2% e, em 2005, de 4,5%, sempre na comparação com os anos anteriores.
A pesquisa registrou também que a renda ficou menos concentrada em 2007, em relação ao ano anterior, embora ainda seja considerada alta pelo IBGE. Entre a população brasileira ocupada, os 10% com menores rendimentos detiveram 1,1% do total de rendimentos em 2007. Na outra ponta, os 10% mais bem remunerados concentraram 43,2% do montante.
Mesmo com a disparidade, o índice de Gini, que mede o nível de concentração da renda, caiu, acompanhando tendência desde 2004. Foi, segundo a Pnad, de 0,528 em 2007, contra 0,540 em 2006 --quando mais baixo o índice, menor a concentração.
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