Sem Doha, Peru quer negociar acordo bilateral com Brasil
FERNANDO ANTUNES
colaboração para a Folha Online
O presidente do Peru, Alan García, disse nesta quinta-feira que irá negociar com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a assinatura de um acordo bilateral de comércio entre os dois países.
García abriu na manhã de hoje o Fórum Empresarial de Investimento na Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), que vai durar dois dias e deverá reunir em 900 encontros mais de 300 empresários peruanos e 400 empresários brasileiros.
"Quando vimos que a Rodada Doha não teve nenhum resultado, nós pleiteamos ao Brasil um profundo acordo bilateral, que vai permitir duplicarmos as importações e exportações com o Brasil em dois anos e multiplicarmos por vezes nos próximos anos", afirmou García em entrevista coletiva.
García e Lula têm encontro marcado às 18h, na sede da Fiesp, quando será inaugurada uma exposição sobre o país andino. O presidente peruano pretende facilitar a entrada de produtos do seu país para o Brasil e vice-versa.
"Vou conversar com o presidente Lula que devemos acelerar a velocidade do nosso acordo comercial. Esse seria um acordo que teria 15 anos de prazo para o cumprimento de suas metas", explicou.
A intenção do presidente é estreitar a relação dos dois blocos comerciais da América do Sul: Comunidade Andina de Nações e o Mercosul. "[Os blocos] são instrumentos para a integração. Não são fins em si mesmos", argumentou.
Além disso, García quer também incentivar investimentos de empresas brasileiras em diversas áreas, como petróleo, têxtil e de máquinas, em seu país.
"[As empresas brasileiras] podem também instalar-se no Peru e beneficiar-se pelos tratados de livre comércio que temos com os estados Unidos e Canadá e que vamos ter com China e Coréia do Sul, etc. A abertura de mercado que o Peru está conseguindo pode servir para que se implante também a indústria brasileira com sua alta tecnologia', afirmou.
Energia
O presidente peruano reafirmou hoje sua vontade de construir com o Brasil uma usina hidrelétrica capaz de gerar mais de 80 mil megawatt-hora, utilizando quedas d'água que passam pela Cordilheira dos Andes e chegariam ao Brasil através da região Amazônica.
"Nós pleiteamos uma projeto bioceânico com o Brasil. Nós pleiteamos uma energia mais limpa com o Brasil", afirmou García, contrapondo a construção do gasoduto entre Brasil e Venezuela que passará mais próximo do oceano Atlântico.
"O gás é de todas as maneiras [uma energia] contaminante. Menos que o petróleo, mas contaminante", explicou.
Em 2006, em visita a Fiesp, García já havia expressado sua intenção em construir essa usina hidrelétrica. De lá para cá, segundo ele, cinco empresas brasileiras --entre elas a Petrobras-- manifestaram interesse no projeto e o Peru se compromete a realizar os estudos para acelerar o projeto.
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