Dinheiro
18/09/2008 - 15h12

Lula lamenta quebradeira de bancos "palpiteiros" nos EUA

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da Folha Online

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva lamentou nesta quinta-feira a quebradeira pela qual passam os bancos, os quais chamou de palpiteiros. Ele voltou a destacar as condições do Brasil para enfrentar a crise e que o país "sofrerá muito pouco caso haja uma recessão profunda nos Estados Unidos".

"É com muita tristeza que esses palpiteiros estão quebrando, estão entrando em concordata. Na verdade, determinaram nos últimos anos, no mundo, não que o capital pudesse circular livremente pelo mundo, gerando empregos e riqueza. Mas determinaram que a especulação financeira, o cassino do sistema financeiro internacional pudesse determinar a lógica da economia", disparou Lula durante cerimônia de batismo da plataforma P-53, em Rio Grande (RS).

Entenda a crise financeira que atinge a economia dos EUA

Segundo Lula, a crise financeira atinge justamente as instituições financeiras que "passaram a vida dando palpites sobre o Brasil" e "fazendo propaganda para investidores sobre se o Brasil era ou não confiável".

"Era como se eles fossem os superinteligentes, e nós os supercoitados", disse.

O presidente afirmou que a crise preocupa o governo brasileiro, devido à relevância da economia dos Estados Unidos para o mercado mundial, mas voltou a destacar que o Brasil tem muito melhores condições hoje de enfrentar o período de turbulências.

"Este momento que estamos vivendo é um momento singular. Nós temos aproximadamente US$ 207 bilhões de reservas, que é um colchão importante para a gente enfrentar a crise. A nossa economia não depende mais do fluxo da balança comercial com os Estados Unidos, embora ainda tenhamos um fluxo comercial grande", disse o presidente.

Lula lembrou que os Estados Unidos reduziram a representação nas exportações brasileiras de cerca de 27% para 15%, com a diversificação dos negócios do Brasil com países da América Latina, África e Oriente Médio.

"Isso [a diversificação] nos permite ter mais flexibilidade e, ao mesmo tempo, ficar de olho, acompanhando o que está acontecendo na economia mundial. A economia americana em crise vai causar problemas em alguns lugares. Estou convencido de que o Brasil será um país que sofrerá muito pouco caso haja uma recessão profunda nos Estados Unidos", ponderou Lula.

Crise

O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, afirmou hoje que seu governo compartilha a preocupação dos americanos com a crise financeira e insistiu que está fazendo tudo o possível para "fortalecer e dar estabilidade aos mercados".

A crise foi detonada pela quebra do Lehman Brothers, o quarto maior banco de investimentos dos EUA, gerando um ambiente de desconfiança generalizada no sistema financeiro global.

O banco central americano já despendeu entre US$ 900 bilhões e US$ 1,5 trilhão para tentar deter os piores desdobramentos da crise financeira que abala a economia americana desde a segunda metade do ano passado, principalmente.

 

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