Banco Central venderá US$ 500 milhões para acalmar mercado
EDUARDO CUCOLO
da Folha Online, em Brasília
O Banco Central anunciou um leilão de venda de moeda estrangeira para injetar liquidez no mercado. Mais cedo, o presidente do BC, Henrique Meirelles, havia antecipado a medida em Nova York. O dólar chegou a subir 5% hoje, mas reduziu a alta após as declarações de Meirelles, fechando a R$ 1,93.
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"Em função da restrição de liquidez observada nos mercados financeiros internacionais, o Banco Central do Brasil decidiu efetuar leilão de venda de câmbio. (...) A decisão é de caráter temporário e não tem como objetivo influir na taxa de câmbio. O Banco Central reafirma que não existe meta para a taxa cambial, seja com fixação de tetos ou pisos", afirmou a instituição por meio de nota.
Serão vendidos US$ 500 milhões ao mercado, com compromisso de recompra por parte do BC depois de 30 dias corridos. Cada instituição financeira poderá comprar dólares no valor de até 20% do total, ou seja, US$ 100 milhões.
Trata-se do primeiro leilão de venda de moeda estrangeira desde o início 2003, quando o BC suspendeu as operações iniciadas durante a crise de 2002.
O leilão será realizado amanhã a partir das 11h, por meio telefônico, exclusivamente através de instituições credenciadas pelo BC para operar junto ao mercado financeiro, os chamados "dealers".
Na operação, o BC define a taxa de venda, anunciada às 11h, e recebe propostas do mercado para taxa de recompra entre 11h30 e 12h. Às 12h30 será anunciado o resultado.
Serão aceitas as propostas de recompra que estiveram mais próximas do valor fixado pelo BC. A liquidação da operação de venda será no próximo dia 23. A liquidação da recompra ocorre no dia 23 de outubro. O objetivo do BC é recomprar os dólares com a menor diferença possível do valor vendido.
Ainda não está definido se haverá leilões em outros dias. Hoje, o BC possui mais de US$ 200 bilhões em reservas internacionais. o BC possui ainda mais US$ 20 bilhões da operação de swap cambial reverso.
Durante a crise de 2002, o BC fazia intervenções diárias no valor de US$ 50 milhões. Na época, a cotação chegou a bater em R$ 4 por dólar durante as negociações.
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