Dinheiro
19/09/2008 - 01h34

Governo e Congresso dos EUA criam plano de medidas contra crise financeira

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da Folha Online

O Departamento do Tesouro, o Fed (Federal Reserve, o Banco central americano) e o Congresso americano decidiram nesta quinta-feira lançar um pacote de medidas contra a crise financeira. O objetivo principal do acordo é dar solução aos ativos podres do mercado hipotecário.

Os funcionários envolvidos vão explorar "todas as opções legislativas e administrativas, e esperam trabalhar durante o fim de semana para encontrar uma forma de sair" da crise, disse o porta-voz do Tesouro, Brookly McLaughlin.

O presidente do Comitê de Bancos do Senado, Christopher Dodd, disse que o Congresso responderá na próxima semana sobre a proposta de medidas levantada pela Casa Branca para enfrentar a crise financeira. Mais cedo, foi divulgado na mídia americana que entre as medidas podia figurar a criação de uma agência federal que se ocupasse dos ativos danificados dos bancos.

Participaram do acordo o presidente do Fed, Ben Bernanke; o secretário do Tesouro, Henry Paulson; e os líderes do Congresso.

Sem dar detalhes do plano, Paulson disse que o pacote será o mais "integral" dos aprovados até o momento para resolver a restrição de crédito nos mercados internacionais, e deverá ser aprovado pelo Congresso. Em uma rápida coletiva concedida no Capitolio, Paulson afirmou: "Este país é capaz de se unir e realizar as coisas rapidamente quando é preciso, pelo bem do povo americano".

"Agora estamos trabalhando para combater um risco sistêmico e a tensão em nossos mercados de capitais. Falamos de um enfoque integral, que exigirá uma nova legislação para enfrentar os ativos sem liquidez nos Estados Unidos".

Segundo Bernanke, "nos unimos para trabalhar em uma rápida solução, que ataque o foco do problema: os ativos sem liquidez dos balanços das instituições financeiras".

A reunião é o último movimento do governo dos Estados Unidos para apaziguar os mercados financeiros, que nos últimos dias viveram fortes turbulências perante o risco de quebra de grandes instituições que investiram em ativos do mercado hipotecário.

As medidas pretendem evitar a quebra de mais empresas financeiras --como ocorreu com o banco Lehman Brothers nesta semana e como quase ocorreu com a seguradora AIG e com o banco Merrill Lynch.

Liquidez

Ontem, o próprio secretário do Tesouro reconheceu que por trás desta grave crise se encontra a "falta de liquidez" dos ativos que as instituições financeiras têm, e que não encontram saída nos mercados.

Por isso, o principal objetivo do pacote de medidas será resolver o "estresse" ao qual o mercado dos ativos hipotecários está submetido, e que tem sua origem na crise imobiliária e no afundamento das hipotecas subprime (de alto risco) nos Estados Unidos.

Uma grande quantidade de bancos de investimento, fundos e seguradoras possuem ativos vinculados às hipotecas de alto risco. Um deles, o banco de investimento Lehman Brothers --que já chegou a ser o quatro maior dos EUA-- pediu concordata na segunda-feira passada. No dia anterior, o Merrill Lynch foi vendido ao Bank of America por US$ 50 bilhões.

"Esperamos trabalhar com o Congresso para resolver a crise financeira e conseguir que nossa economia funcione de novo", declarou o presidente do Fed ao término da reunião.

Críticas

Nos últimos dois dias, nos quais a situação dos mercados financeiros se agravou, vários legisladores democratas e republicanos reclamaram de o governo de George W. Bush não ter consultado o Congresso sobre que medidas seriam mais conveniente tomar.

A presidente da Câmara de Representantes, Nancy Pelosi, que atuou como anfitriã da reunião, disse que o "tempo é crucial" no projeto deste pacote de medidas, e que o acordo poderia ficar completamente fechado nas próximas horas.

Um porta-voz do Tesouro disse que apesar de não haver planos de quando sairão as medidas, Paulson, Bernanke e outros funcionários, esperavam continuar trabalhando durante o fim de semana para completar todos os seus detalhes.

Nesta quinta-feira, Wall Street fechou em fortíssima alta de mais de 400 pontos, a maior dos últimos seis anos, ao ser revelado que entre as medidas podia figurar a criação da agência para cuidar de ativos podres dos bancos.

Esta agência seria similar à qual foi criada no final dos anos 80 durante a crise das caixas econômicas, denominada Resolution Trust Corporation, que assumiu os ativos danificados das entidades quebradas.

Outro precedente de intervenção do governo aconteceu durante a crise da Grande Depressão, na década de 30, quando a corporação Home Owners Loan emitiu bônus para financiar as instituições financeiras.

Bush

A reunião desta noite acontece horas depois de o presidente George W. Bush assegurar que seu governo está fazendo todo o possível para diminuir os efeitos da crise financeira que sacudiu com força as bolsas de valores durante esta semana.

O Banco do Japão, o Federal Reserve (Fed, o BC americano), o BCE (Banco Central Europeu), o Banco da Inglaterra, o SNB (Suíça) e o Banco do Canadá anunciaram hoje que devem injetar mais de US$ 200 bilhões para impedir que a crise de crédito fique mais acentuada.

Hoje, o presidente americano, George W. Bush, afirmou que seu governo compartilha a preocupação dos americanos com a crise financeira e insistiu que está fazendo tudo o possível para "fortalecer e dar estabilidade aos mercados". Ele lembrou as medidas econômicas e financeiras "extraordinárias" realizadas nos últimos dias e que, segundo ele, estão dando resultados em oferecer estabilidade aos mercados.

Entre elas, citou a decisão do governo de tomar o controle das gigantes hipotecárias Fannie Mae e Freddie Mac, a intervenção na seguradora AIG e as medidas aprovadas pela SEC (Securities and Exchange Commission, a CVM americana) para proteger os investidores das gestões ilegais nos mercados.

Comentários dos leitores
Arthur Capella Neto (12) 16/11/2009 11h09
Arthur Capella Neto (12) 16/11/2009 11h09
Neste mundo que , por conceitos fisico-quimicos , já deveria ter acabado, de tão putrefato e corroído pelos cupins humanos, não existem, nos grupos controladores, mocinhos , só bandidos. No passado e atualmente, fizeram-se e fazem-se guerras por poder, por temperos, por amantes,por petróleo e , se o governante é corrupto ou assassino mas faz o jogo do poder dominante, então serve. Assim, vemos a multiplicação de reinos pessoais e familiares na Africa e no oriente médio e, mais próximamente, na Venezuela. Sem maiores surtos de vergonha, inventa-se um motivo e "bum", estoura-se o país insurgente.Muitas vêzes o insurgente foi colocado lá pelo seu próprio aniquilador, vide o caso de Saddan Hussein.A criatura desobedeceu o criador. O Brasil que, nos últimos anos, colocou no seu arsenal uma nova ação, chamada vontade política, tem a mania de se encrencar em outros campos, vide Guatemala.Também colocou neste arsenal uma outra frase:tolerância com vizinhos desagradáveis. Assim, tolera as estrepulias da desgovernada e órfã do caudilho , Argentina.Tolera os rompantes do ditador de piche, o sargentão Chavez.Tolera o boneco de Chavez, o índio Evo (como tal ,é tutelado) e também o pedófilo e Don Juan do Paraguay, o Lugo. Parece que só isto poderia dar ao Brasil o Nobel da tolerância e da paz. Para não fugir ao assunto, a China.O Obama precisa de dólar baixo.A China usa o Yuan baixo artificialmente para exportar.O êrro foi considerar a China economia de mercado.Não é e ponto final. sem opinião
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O Pacificador (129) 16/11/2009 10h45
O Pacificador (129) 16/11/2009 10h45
"China acusa EUA de protecionismo durante visita de Obama..."
Ô Bama! Você não aprende mesmo né?
Tá achando que ainda está em um daqueles palanques da campanha, quando a platéia aplaudia o tempo todo?
Aos poucos, está aprendendo que o buraco é mais embaixo.
Foi á China, fazer média com os comunistas escravagistas e tomou uma raquetada, ao acusarem os EUA de protecionistas.
O detalhe aí, é que NINGUÉM no mundo é mais protecionista que República Popular da China.
Aposto que Obama ouviu á tudo calado, e saiu de fininho, como está sendo até agora, sua "marca" registrada...
sem opinião
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joao martins (61) 13/11/2009 13h41
joao martins (61) 13/11/2009 13h41
O QUE IMPORTA É EXPORTAR, E BASTANTE, QUE VENHA BASTANTE DOLARES PRO BRASIL. Agora se a moeda fica forte o pais fica forte né??? Como os Estados Unidos não desvaloriza a sua moeda se esta numa crise de dar pena???? Meireles com a palavra!!!! 8 opiniões
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