EUA usarão "centenas de bilhões de dólares" contra crise, diz Tesouro
da Folha Online
Atualizado às 12h50
O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Henry Paulson, disse hoje que o governo americano gastará "centenas de bilhões de dólares" para responder à crise financeira. Paulson disse que o governo aumentará a intervenção no mercado imobiliário, que considera a raiz dos problemas financeiros dos Estados Unidos, além de outras medidas.
O Departamento do Tesouro, o Fed (Federal Reserve, o banco central americano) e o Congresso dos EUA decidiram na quinta-feira lançar um pacote de medidas.
Entenda a crise financeira que atinge a economia dos EUA
"A proteção máxima ao contribuinte será a estabilidade que esse programa de ajuda oferecerá ao nosso sistema financeiro, mesmo com o envolvimento de um investimento significativo de dólares dos americanos", disse o secretário. "Estou convencido de que essa abordagem ousada vai custar às famílias americanas muito menos que a alternativa --uma série contínua de quebras de instituições financeiras e mercados de crédito congelados incapazes de financiar a expansão econômica."
| Jason Reed/Reuters |
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| Henry Paulson diz que governo elevará intervenção no mercado imobiliário |
Ele afirmou que irá trabalhar durante o fim de semana com líderes do Congresso para chegar a um acordo sobre o plano. "Ele precisa ser grande o suficiente para fazer uma diferença real e chegar ao centro do problema."
O secretário informou também que as gigantes hipotecárias americanas, Fannie Mae e Freddie Mac, irão ampliar as compras de títulos lastreados por hipotecas, como forma de dar apoio ao mercado imobiliário. Ele, no entanto, não deu detalhes sobre valores ou prazos. "Esses passos darão um apoio inicial para ativos ligados a hipotecas, mas não são suficientes", disse.
O presidente do Comitê de Bancos do Senado, Christopher Dodd, disse que o Congresso responderá na próxima semana sobre a proposta de medidas levantada pela Casa Branca para enfrentar a crise financeira. Mais cedo, foi divulgado na mídia americana que entre as medidas podia figurar a criação de uma agência federal que adquirisse os ativos "podres" dos bancos. Fontes que participam das conversas, iniciadas na quinta-feira, disseram que está sob análise o estabelecimento de um fundo de US$ 800 bilhões.
A SEC (Securities and Exchange Commission, o órgão regulador dos mercados nos Estados Unidos) também tomou iniciativa contra a crise e proibiu temporariamente as vendas a descoberto sobre os valores financeiros, seguindo uma decisão similar da FSA (Autoridade de Serviços Financeiros, na sigla em inglês) britânica.
A venda a descoberto consiste em tomar emprestado um título mediante o pagamento de uma comissão, e vendê-lo esperando que sua cotação caia. Se isso acontece, o especulador pode recomprar o papel mais barato para devolvê-lo a seu proprietário, embolsando a diferença entre o preço de compra e de venda. A técnica precipita com freqüência a queda das cotações.
| Mark Lennihan/AP |
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| Ajuda bilionária à seguradora AIG derrubou os mercados acionários nesta semana |
Outra medida do Tesouro foi anunciar hoje garantias temporárias para o mercado dos fundos monetários, com uma injeção de US$ 50 bilhões. Fundos monetários são instrumentos financeiros geralmente considerados seguros e que, segundo o Tesouro, desempenham um papel fundamental no financiamento dos mercados de capitais das instituições financeiras.
A garantia será financiada pelo fundo de estabilização das operações do mercado financeiro (Exchange Stabilization Fund), criado em 1934, e deve se estender até o próximo ano.
Tensão
A tensão acerca da crise nos EUA voltou ao foco no início deste mês, foi anunciado um pacote de US$ 200 bilhões em ajuda à Fannie Mae e à Freddie Mac, que corriam o risco de quebrar.
Nesta semana, em mais um capítulo, o banco de investimentos Lehman Brothers pediu concordata, devido à falta de crédito junto a outras instituições bancárias e à recusa do governo em destinar recursos para reforçar seu caixa. Além disso, o Merrill Lynch foi vendido ao Bank of America e a seguradora AIG recebeu ajuda de US$ 85 bilhões do Fed. Tal seqüência de eventos deixou os investidores assustados durante toda a semana.
Já as situações do banco de poupança e investimentos ('savings & loans') Washington Mutual e do banco de investimentos Morgan Stanley são acompanhadas com atenção. O primeiro teria sido objeto de consultas da parte do governo a outras instituições financeiras sobre uma eventual aquisição; o segundo estaria buscando um comprador, e o Wachovia já teria manifestado algum interesse, além do Citigroup e do HSBC.
Assim, o temor de falta de dinheiro para cobrir buracos afetou ainda mais a liquidez do mercado, que se viu sem crédito disponível. Por conta disso, os seis principais bancos centrais do mundo anunciaram nesta semana uma ação coordenada para enfrentar, além das ações pontuais já realizadas. O BoJ (Banco Central do Japão), o Fed (EUA), o BCE (Banco Central Europeu), o BoE (Reino Unido), o SNB (Suíça) e o Banco do Canadá injetaram na economia mais de US$ 200 bilhões.
Com agência Efe e Associated Press
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