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Dinheiro
19/09/2008 - 16h42

Lula volta a dizer que crise é de Bush e Brasil está resguardado

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da Folha Online
da Agência Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a dizer que a crise financeira dos Estados Unidos, que abala os mercados internacionais, tem de ser explicada pelo presidente norte-americano George W. Bush.

"As pessoas vêm me perguntar sobre a crise, eu respondo: vai perguntar pro Bush, a crise é dele não é minha. Eu tenho é que cuidar do meu país para ele não ser atingido", disse Lula, em em Mossoró (RN).

Lula lembrou também que o Brasil tem mais de US$ 200 bilhões em reservas para se precaver.

"Imagine se essa crise fosse há dez anos. Se os Estados Unidos dessem esse espirro que deram com a crise imobiliária, o Brasil já tinha pego uma pneumonia", completou Lula.

Sobre a inflação dos alimentos, o presidente também demonstrou não estar preocupado. "Para o Brasil, a crises de alimentos é uma oportunidade. Contra crise, mais produção", afirmou.

Ontem, no Rio Grande do Sul, Lula disse que a crise financeira atinge justamente as instituições financeiras que "passaram a vida dando palpites sobre o Brasil" e "fazendo propaganda para investidores sobre se o Brasil era ou não confiável".

A crise foi detonada pela quebra do Lehman Brothers, o quarto maior banco de investimentos dos EUA, gerando um ambiente de desconfiança generalizada no sistema financeiro global. Além disso, o Merrill Lynch foi vendido ao Bank of America e a seguradora AIG recebeu ajuda de US$ 85 bilhões do Fed. Tal seqüência de eventos deixou os investidores assustados durante toda a semana.

Já as situações do banco de poupança e investimentos ("savings & loans") Washington Mutual e do banco de investimentos Morgan Stanley são acompanhadas com atenção. O primeiro teria sido objeto de consultas da parte do governo a outras instituições financeiras sobre uma eventual aquisição; o segundo estaria buscando um comprador, e o Wachovia já teria manifestado algum interesse, além do Citigroup e do HSBC.

O banco central americano já despendeu entre US$ 900 bilhões e US$ 1,5 trilhão para tentar deter os piores desdobramentos da crise financeira que abala a economia americana desde a segunda metade do ano passado, principalmente.

Hoje, o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Henry Paulson, disse que o governo americano gastará "centenas de bilhões de dólares" para responder à crise financeira. Paulson afirmou que o governo aumentará a intervenção no mercado imobiliário, que considera a raiz dos problemas financeiros dos Estados Unidos, além de outras medidas.

O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, também se pronunciou sobre a crise e disse nesta sexta-feira que a intervenção pública nos mercados "não só é justificada, é essencial", para evitar um dano maior na economia.

 

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