Plano dos EUA contra crise exclui alguns fundos e estrangeiros
da Folha Online
O pacote do governo americano para enfrentar a crise de crédito foi mais detalhado na noite desta sexta-feira. Segundo informou uma fonte à agência Reuters, instituições financeiras de fora dos EUA e fundos "hedge" não poderão se desfazer de ativos hipotecários ou com problemas, conforme prevê o plano do Tesouro dos Estados Unidos.
Entenda a crise financeira que atinge a economia dos EUA
O mercado recebeu com euforia hoje a confirmação do Tesouro de que vai usar, se necessário, "centenas de bilhões de dólares" para deter desdobramentos da crise. Uma das medidas é justamente a criação de um fundo para absorver os créditos mais problemáticos gerados ao longo da crise de hipotecas que se alastrou.
| Jason Reed/Reuters |
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| Henry Paulson diz que governo elevará intervenção no mercado imobiliário |
Tesouro e Fed (Federal Reserve, o BC americano) discutem neste fim de semana com o Congresso detalhes do plano cujo objetivo é "limpar" os balanços dos bancos com ativos problemáticos.
Também nesta sexta-feira a SEC (Securities and Exchange Commission, o órgão regulador dos mercados nos Estados Unidos) tomou iniciativa contra a crise e proibiu temporariamente as vendas a descoberto sobre os valores financeiros, seguindo uma decisão similar da FSA (Autoridade de Serviços Financeiros, na sigla em inglês) britânica.
A venda a descoberto consiste em tomar emprestado um título mediante o pagamento de uma comissão, e vendê-lo esperando que sua cotação caia. Se isso acontece, o especulador pode recomprar o papel mais barato para devolvê-lo a seu proprietário, embolsando a diferença entre o preço de compra e de venda. A técnica precipita com freqüência a queda das cotações.
Outra medida do Tesouro foi anunciar garantias temporárias para o mercado dos fundos monetários, com uma injeção de US$ 50 bilhões. Fundos monetários são instrumentos financeiros geralmente considerados seguros e que, segundo o Tesouro, desempenham um papel fundamental no financiamento dos mercados de capitais das instituições financeiras.
A garantia será financiada pelo fundo de estabilização das operações do mercado financeiro (Exchange Stabilization Fund), criado em 1934, e deve se estender até o próximo ano.
O Fed "fornecerá uma exceção limitada temporária das regras", disse o banco em comunicado.
Euforia
| Fernando Donasci/Folha Imagem |
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| Movimentação de operadores na BM&F durante pregão desta semana |
O pacote do governo americano salvou o que prometia ser uma semana "maldita" para o mercado financeiro mundial. Acompanhando o entusiasmo nas Bolsas internacionais, a Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) teve sua maior valorização num só dia desde janeiro de 1999, quase anulando as perdas do mês. O câmbio despencou mais de 5%.
"Não acredito que foi uma reação exacerbada [do mercado]. Quando os grandes players internacionais saíram da Bolsa, algumas ações líderes ficaram muito baratas. E quando a Bolsa de Londres sobe 8,8%, a de Paris, 9,3%, é até natural a gente subir quase 10%", avalia Romeu Vidali, gerente de renda variável da corretora Concórdia, no Rio. "E hoje, os EUA mostraram uma atitude concreta para resolver uma crise que estava travando mercado no mundo todo."
O termômetro dos negócios da Bolsa, o Ibovespa, avançou 9,57% no fechamento e atingiu os 53.055 pontos. O giro financeiro foi alto, de R$ 7,67 bilhões, ante uma média de R$ 5 bilhões/dia deste ano. No entanto, mesmo com ganhos de hoje, a Bolsa ainda amarga perdas de 4,7% no mês. No ano, a baixa é de 16,95%.
Os investidores voltaram às compras focando principalmente nas chamadas "blue-chips", as ações líderes do mercado acionário: a ação preferencial da Petrobras disparou 8,63%, girando sozinha R$ 1,2 bilhão. A ordinária valorizou 9,10%. A ação preferencial da Vale do Rio Doce, outro papel influente da Bolsa, teve alta de 6,47%.
O dólar comercial foi cotado a R$ 1,831 na venda, em declínio de 5,12%. A taxa de risco-país recuou quase 15%, para os 278 pontos.
"Foi uma somatória de boas notícias. Ontem, aquela iniciativa dos seis bancos centrais trouxe bastante otimismo para o mercado. Hoje, teve o leilão do Banco Central", comenta Cristiano Zanuzo, diretor de câmbio da corretora Renova.
Segundo operadores, os leilões de venda de dólares realizados hoje também foram importantes para acalmar o mercado de câmbio num dia bastante turbulento, em que o preço da moeda teve um tombo histórico.
A Bolsa de Nova York, referência global do mercado de ações, teve ganho de 3,35%, enquanto a Bolsa eletrônica Nasdaq ascendeu 3,40%.
Na Europa, a expectativa do setor financeiro impulsionou as principais Bolsas de Valores do continente. Em Londres, o índice de referência FTSE encerrou o pregão 9,32% mais alto; em Paris, o Cac subiu 9,27%, enquanto o índice do mercado alemão Dax teve acréscimo de 5,56%.
Semana turnulenta
A tensão acerca da crise nos EUA voltou ao foco no início deste mês, foi anunciado um pacote de US$ 200 bilhões em ajuda à Fannie Mae e à Freddie Mac, que corriam o risco de quebrar.
Nesta semana, em mais um capítulo, o banco de investimentos Lehman Brothers pediu concordata, devido à falta de crédito junto a outras instituições bancárias e à recusa do governo em destinar recursos para reforçar seu caixa. Além disso, o Merrill Lynch foi vendido ao Bank of America e a seguradora AIG recebeu ajuda de US$ 85 bilhões do Fed. Tal seqüência de eventos deixou os investidores assustados durante toda a semana.
Já as situações do banco de poupança e investimentos ('savings & loans') Washington Mutual e do banco de investimentos Morgan Stanley são acompanhadas com atenção. O primeiro teria sido objeto de consultas da parte do governo a outras instituições financeiras sobre uma eventual aquisição; o segundo estaria buscando um comprador, e o Wachovia já teria manifestado algum interesse, além do Citigroup e do HSBC.
Assim, o temor de falta de dinheiro para cobrir buracos afetou ainda mais a liquidez do mercado, que se viu sem crédito disponível. Por conta disso, os seis principais bancos centrais do mundo anunciaram nesta semana uma ação coordenada para enfrentar, além das ações pontuais já realizadas. O BoJ (Banco Central do Japão), o Fed (EUA), o BCE (Banco Central Europeu), o BoE (Reino Unido), o SNB (Suíça) e o Banco do Canadá injetaram na economia mais de US$ 200 bilhões.
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Aqui no Brasil, podem esquecer.
Sem chance...
Ao menos se continuarem os atos de organizações tipo MST, que invadem, destroem e queimam lavouras, com nossas autoridades assistindo á tudo, imersas no mais profundo e nojento silêncio constrangedor, não vai ter produção suficiente não.
Estamos deixando de ser uma nação do agronegócio, e nos tornando uma republiqueta especializada no "agroterror"...
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