Dinheiro
20/09/2008 - 08h52

Crise financeira nos EUA dificulta acesso a crédito, diz indústria

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CLAUDIA ROLLI
FÁTIMA FERNANDES
da Folha de S.Paulo

O impacto da crise financeira nos Estados Unidos, com reflexo no mundo, deve ser sentido pelas indústrias brasileiras a partir do primeiro trimestre do ano que vem, segundo avaliam empresários de vários segmentos industriais. A intensidade do reflexo da desaceleração do mercado mundial, segundo dizem, vai depender das condições de acesso ao crédito.

Para Humberto Barbato, presidente da Abinee (reúne empresas eletroeletrônicas), é provável que as empresas do setor reduzam o ritmo de atividade, "mas não haverá paralisação generalizada, não existe previsão de retração acentuada da economia mundial."

Na sua avaliação, a recente desvalorização do real em relação ao dólar é momentânea, não deve se sustentar, a ponto de favorecer os embarques. "O que está acontecendo agora no mercado de câmbio é um soluço." A previsão da Abinee para este ano é de o setor registrar déficit comercial ao redor de US$ 23 bilhões.

Merheg Cachum, presidente da Abiplast (indústria plástica), diz que o setor, apesar de exportar pouco, está preocupado com os reflexos da crise: "Se os EUA compram menos, o resto do mundo vai sofrer por tabela. Vamos ter que esperar um pouco para ver como vai ficar a economia dos EUA."

As exportações brasileiras para os Estados Unidos podem sofrer redução, diz Gabriel Rico, presidente-executivo da Câmara de Comércio Americana, mas essa diminuição não oferece "risco comercial" ao Brasil. "Pode haver mais dificuldade em exportar. Mas a pauta de exportações brasileira é diversificada. Os EUA continuam sendo o maior parceiro comercial brasileiro, mas representam apenas 13,9% das exportações totais do Brasil. Não há dependência só dos EUA. Se o peso fosse de 50%, estaríamos em um sufoco só."

O Brasil importou 37% a mais dos EUA de janeiro a agosto deste ano na comparação com mesmo período de 2007. E exportou 13% a mais para os americanos no mesmo período. "São dados positivos porque houve aumento da importação de máquinas e equipamentos destinados ao aumento da capacidade produtiva e modernização do parque industrial brasileiro. Por outro lado, mesmo com o "slowdown" da economia americana as exportações para aquele país cresceram 13%."

A redução nas exportações não ocorrerá só com o Brasil, diz Rico. "Os EUA, disparados, são o maior importador do mundo. Todos temem a recessão e todas as economias, como a chinesa e a indiana, aguardam o desenrolar dessa crise com apreensão." Mas, segundo acredita, a crise é passageira e seu impacto localizado.

O setor calçadista ainda aguarda os desdobramentos da crise, mas não acredita que seus reflexos serão intensos. "Com a desvalorização do dólar, o setor se voltou ao mercado interno. As exportações para os Estados Unidos diminuíram e para a América Latina cresceram. Mas não há dúvida de que a cautela aumenta. Estamos em estado de alerta", diz Saulo Pucci Bueno, empresário do setor de calçados e diretor regional do Ciesp (centro das indústrias paulistas) em Franca, região com 1.500 empresas.

Para Bueno, um dos reflexos imediato da crise é a piora nas condições de acesso ao crédito. "Os bancos serão, certamente, mais seletivos, o que dificulta e encarece o crédito."

No setor gráfico, que reúne 19 mil empresas no país com 200 mil empregados, a crise pode ser sentida mais na importação de equipamentos. "O impacto deve ser sentido mais na importação de máquinas que cresceu expressivamente", diz Alfried Plöger, presidente da Abigraf (indústria gráfica). Em 2006, o setor importou US$ 400 milhões em equipamentos. No ano passado, chegou a US$ R$ 1,3 bilhão.

Comentários dos leitores
Luciano Cruz (1) 11/11/2009 11h48
Luciano Cruz (1) 11/11/2009 11h48
FHC, chamou textualmente os aposentados de vagabundo. Já, Lula da Silva disse: Aposentados, levantem a bunda da cadeira e vão trabalhar. O que dá no mesmo, não????? sem opinião
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Isaías Santana (32) 10/11/2009 17h00
Isaías Santana (32) 10/11/2009 17h00
É impressionante a maneira tosca com a qual algumas pessoas se reportam ao presidente. Queria muito saber em qual faculdade existe o curso de PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA? O Lula ñ foi o responsável por todos os êxitos, e c/ toda certeza as pessoas de bom senso tb percebem q algumas escolhas dele poderiam ser mais acertadas. Mas a verdade é q há muito ñ víamos alguém cair nessa balança e sair em saldo. O FHC até o primeiro mandato estava caminhando p/ isso, mas conseguiu fazer o país estagnar no segundo mandato. Há muito tempo não víamos o mundo (qdo digo o mundo, digo desde pessoas comuns de outros países até seus meios de comunicação nacional) olhar para o Brasil e acharem q sua administração coleciona acertos. Interessante lembrar q não faz muito tempo, alguns desses nem sabiam onde ficava o Brasil. Ao eloquente pessimista: permita-se conversar com alguém q está fora e pergunte a ele o q tem ouvido sobre o país, já q você ñ consegue abrir os olhos pra enxergar alguma diferença q seja. O pessimista atribui ao crescimento mundial o sucesso brasileiro desta década, se fosse assim teríamos uma África em crescimento e até vizinhos nossos esbanjando a mesma robustez brasileira. Queira acreditar no país e no rumo q ele está tomando! Ñ há como retroceder agora. Fazer vc perceber isso ñ tem nada a ver com o Lula, apenas com a sua própria postura diante do mundo. 9 opiniões
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Cassio Tavares (559) 10/11/2009 10h43
Cassio Tavares (559) 10/11/2009 10h43
Antonio Rodrigues, as escolas públicas do ensino básico são estaduais ou municipais e cabe ao governo federal apenas repassar as verbas da educação conforme manda a lei. A aplicação desses recursos transferidos pelo governo federal, são utilizados pelos governadores e prefeitos de nossas cidades conforme a vontade deles. O pior é que muitos governadores e prefeitos desviam recursos que lhes são repassados para a educação para outras finalidades, e com isso violam as leis. Há poucos dias a Folha publicou o montante dos recursos destinados a cada estado e o maior desvio dessa aplicação se deu no Rio Grande do Sul, ou seja, o que mais desviou esses recursos e em penúltimo lugar estava o Estado de Minas Gerais. Acontece também é que os alunos das escolas públicas de todo o Brasil participaram de um teste e os alunos das esolas públicas de São Paulo, de responsabilidade do estado e da prefeitura ficaram nos últimos lugares. A segurança pública também é de responsabilidade dos estados através de suas policias militar e civil. Acontece que também a Folha publicou dias atrás um comunicado da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo dizendo que a criminalidade apresentou um crescimento nos últimos 3 trimestres. Pesquise e analise se achar conveniente. 5 opiniões
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