Publicidade

Dinheiro
21/09/2008 - 08h46

Pacote de ajuda financeira nos EUA abre espaço a "barganha" política

Publicidade

da Folha de S.Paulo

A proposta de um pacote de US$ 700 bilhões, enviada na sexta-feira à noite ao Congresso pelo Tesouro americano, tem só duas páginas e meia. O projeto é genérico no tocante à função da nova agência, que irá comprar os papéis podres. Também dará poderes ilimitados ao governo para comprar e vender títulos hipotecários e mantê-los sob seu controle por tempo indeterminado.

O documento não especifica, por exemplo, de quais instituições o governo comprará títulos nem o que poderá exigir ou obter em troca. Segundo o "Wall Street Journal", o objetivo ao entregar um plano "enxuto" foi o de buscar flexibilidade para ajustes à medida que as condições do mercado mudem.

Mas tal decisão pode dificultar a aprovação no Congresso, pois representará oportunidade para que sejam apresentadas emendas. Democratas, que detêm o controle das duas Casas, e até republicanos questionam a abrangência das medidas e a falta de mecanismos para supervisão dos gastos.

"[A proposta] é uma boa base para um plano que possa estabilizar rapidamente os mercados", disse o senador democrata Charles Schumer. "Mas ela não inclui proteção visível para os contribuintes e os mutuários. Esperamos conversar com o Tesouro para saber se eles pensam nessas questões."

Foi a mesma linha defendida pelo candidato democrata à presidência, Barack Obama. "Nós temos de assegurar que tudo que nosso governo faça tem de funcionar não apenas para Wall Street mas também para o cidadão comum", disse em discurso na Flórida.

O republicano John McCain, do mesmo partido do atual presidente, George W. Bush, também fez ressalvas. "A crise financeira requer liderança e ação para restaurar os fundamentos sadios dos mercados, colocar nossa economia no seu passo e eliminar essa carga para as famílias trabalhadoras de classe-média dos EUA."

O plano foi criticado pelo vencedor do Prêmio Nobel de Economia em 2001, Joseph Stiglitz, em entrevista a um jornal alemão. O economista classificou o projeto de "monstruoso" para os contribuintes norte-americanos e afirmou que o plano "não é mais do que uma solução de curto prazo".

"Colocamos os investimentos de risco nas mãos dos contribuintes. [Como nenhum investidor quer tais investimentos], a embrulhamos ao contribuinte", afirmou Stiglitz.

Segundo cálculos do jornal "The New York Times", o plano de US$ 700 bilhões terá um custo estimado de US$ 2.000 por cidadão americano.

Esse montante que será gasto na compra de papéis podres (títulos de má qualidade) supera com folga o custo até o momento do governo americano na Guerra do Iraque -estimados US$ 560 bilhões.

Ao propor elevar o teto para o endividamento do governo de US$ 10,6 trilhões para US$ 11,3 trilhões -valor que corresponde a cerca de 75% do PIB do país, de US$ 15 trilhões-, o governo suscita ainda mais preocupação com sua capacidade de investimentos nos próximos anos. Muitos economistas dizem que o pacote não evitará a recessão nos EUA, uma vez que o sistema financeiro estará debilitado para emprestar às empresas e aos consumidores.

Em evento em São Paulo ontem, o presidente Lula voltou a criticar o governo norte-americano. Segundo ele, os EUA demoraram a tomar uma atitude. "Finalmente, ontem [sexta], o presidente George Bush assinou um pacote colocando cerca de US$ 500 bilhões [foram US$ 700 bilhões] para comprar os títulos podres das empresas que estavam quebrando."

Com agências internacionais

Comentários dos leitores
Eduardo Giorgini (442) 04/12/2009 11h31
Eduardo Giorgini (442) 04/12/2009 11h31
Concordo!
Os especialistas se baseam em economias de primeiro mundo, onde as pessoas são mais "mimadas" e dependentes das parafernálias de consumo ficando mais vulneráveis à crises.
Nós, brasileiros, estamos acostumados com a crise. Temos uma cultura de recessão ao longo de nossa história, ou seja, não sofremos muito com eventuais problemas economicos.
Para viver no Brasil, tem que ser forte e lutador
[]s
Eduardo.
sem opinião
avalie fechar
celso assis (77) 03/12/2009 10h03
celso assis (77) 03/12/2009 10h03
Falando ironicamente :
Estou indignado com este Sr Krugman, premio Nobel de Economia, com o que ele falou sobre o Brasil. Ele positivamente não sabe nada, e deveria fazer estágio com:
- certos comentaristas de tele jornais que foram outrora famosos, e boa parte de midia - influenciadores que foram influenciados por algum fator motivacional,
- nossos banqueiros e empresários em que só os otários acreditam,
- pessao ligado a Bovespa, Creci, Secovi que só falam o que lhes interessam.
Afinal de contas Sr. Krugman, nós temos a Copa de 2014, e Olimpiadas de 16, tb com apagões energéticos, aéreos, transito caótico, saneamento básico ruim, dengue, meningite, politicos, etc
Olha tb temos o pré-sal, que produzirá no final da década que ainda vais iniciar-se, o óleo mais "salgado" do mundo. Para extrai-lo vão ser necessário muitos dolares por barril, muitas vezes mais que nos outros Paises. Lógico que qto mais se gasta, menso se ganha.
Bem feito sr. Krugman, o Jornal da Band, e o Nacional boicotaram vc, e nada noticiaram sobre seus palpites furados.
E VIVA NÓIS
19 opiniões
avalie fechar
Olmir Antonio de Oliveira (75) 03/12/2009 09h47
Olmir Antonio de Oliveira (75) 03/12/2009 09h47
A repeito da recuperação de mercados..... A dizer da econômia brasileira, no termo equilibrio, travessia, em termos econômicos um bom comparativo, uma ponte, com bons fundamentos (extrutura), tensionada, fortemente exigida, mas com capacidade para resistir, suportar "o uso" e "abusos". Com isto certamente possibilita um avanço significativo em termos econômicos, em ganhos em diversos niveis, um crecimento, uma melhoria de padrão geral, a formação de um novo conceito de solidez, de desenvolvimento como um todo. Imperativo o controle de gastos "em época eleitoral", os famosos desperdicios, as demagogias, erros, politicagem,propaganda enganosa. época que se faz nescessário ampliação de critérios, e cobranças com os gastos, em obras sem útilidade efetiva, e ou duradoura. Do história inicio de ano, época de férias.....atividades reduzidas, coisas se bem pensadas e organizadas podem dar bons resultados aos trabalhadores, empresas, consumidor, já no trimestre seguinte, cautela, controles, agilidade operacional, e de sistemas produtivos, ...... 2 opiniões
avalie fechar
Comente esta reportagem Veja todos os comentários (4392)
Termos e condições
 

FolhaShop

Digite produto
ou marca